14% – taxa de desemprego no quarto trimestre de 2011 em Portugal. Ou seja, mais 1,6 pontos percentuais do que no trimestre anterior.
771.000 - número de desempregados no país, contabilizados segundo os critérios oficiais. Se forem incluídas as pessoas desencorajadas mas que gostariam de encontrar trabalho, o número real deverá aproximar-se ou mesmo ultrapassar o milhão.
35,4% – taxa de desemprego dos jovens entre Outubro e Dezembro de 2011. Esta estatística diz respeito à população entre 15 e 24 anos.
31% – percentagem da subida da taxa de desemprego jovem.
17,5% – taxa de desemprego do Algarve, no fim do quarto trimestre de 2011. É a região com o valor mais elevado
52,6% – proporção dos desempregados que estão sem trabalho há 12 meses ou mais.
80.200 – número de trabalhadores que estão à procura do primeiro emprego
108.000 – número de desempregados que tem formação superior (14% dos desempregados)
226.900 – número de desempregados com 45 anos ou mais; é a faixa etária mais afectada
365.300 – número de mulheres sem emprego no fim de 2011 (taxa de 14,1%)
405.700 – número de homens desempregados no fim de 2011 (taxa de 13,9%)
Ler este texto de Marisa Matias, publicado no Esquerda.net, é uma excelente forma de começar a ganhar balanço para o ano que hoje começa:
Pressentimos, e a realidade procura não desmenti-lo, que tudo vai correr mal. Um ano novo à porta e esta parece mais escura do que nunca. Em dias consecutivos, como diria Sérgio Godinho, “uns de nós ainda mortos, uns de nós ainda vivos”. A política quotidiana, seja a solo ou em partilha, confinou-se ao espaço do “eu existo”. Se a linguagem de “quem manda” fosse a gíria futebolística não andaríamos longe da filosofia do “correr atrás do prejuízo”. E contentamo-nos?
É difícil falar de esperança nos dias que correm. Será ela matéria exclusiva da mensagem do Cardeal Patriarca de Lisboa? É que do governo só nos falaram de “confiança” e a esperança viu-se atirada para os desígnios da fé. É preciso resgatar cenários alternativos. Aqueles que nos mostram que as coisas podem ser diferentes, que nem tudo está escrito e que a fatalidade fica bem apenas nas páginas de um romance. Para haver esperança é preciso que haja encanto, também o sabemos. Ultimamente, encantamo-nos pouco e questionamo-nos ainda menos. Não questionamos o suficiente sobre como é que se faz o dinheiro ou onde é que ele se vai buscar. Pagamos e pronto. Este seria o capítulo final de uma história em que a fatalidade se tornou o fado de um país inteiro. Mas, voltando a Sérgio Godinho, “entre a rua e o país vai o passo de um anão”. E a rua de que nos fala não é uma rua qualquer: é de má fama e os perfumes cheiram a lama. Nessa rua moram os que nos dizem que não há vida para além da troika. E por muito improvável que possa parecer a contra-afirmação é clara: sim, há vida para além da troika. A nossa.
A força que trazemos nos braços não nos pode servir apenas para obedecer, para nos pôr de bem com os outros e de mal connosco. Há caminhos alternativos, há iniciativas cidadãs a decorrer, como a da auditoria à dívida, há posições a tomar sobre se queremos calar perante mais “imposições dos mercados” ou se não nos deixamos desistir do que resta do nosso Estado social e procurar melhorá-lo. Temos voz para ser usada e não estamos forçados a dançar o tango. A dança que temos de construir envolve-nos a todos. Por uma última vez, voltemos a Sérgio Godinho: “pisemos a pista, é bom que se insista”. O ano de 2012 ainda não está escrito. Já agora, vamos lá à outra ideia feita que partilhamos: o que aí vem pode sempre ser pior. Basta que nos resignemos.
(Letra e Música de Sérgio Godinho) Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Construir as cidades para os outros
Carregar pedras, desperdiçar
Muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro
Que força é essa
que força é essa
que trazes nos braços
Que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que força é essa, amigo
Que te põe de bem com os outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo
que força é essa, amigo
Não me digas que não me compreendes
Quando os dias se tornam azedos
Não me digas que nunca sentiste
Uma força a crescer-te nos dedos
E uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compreendes
Que força é essa…
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Construir as cidades para os outros
Carregar pedras, desperdiçar
Muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro
Viemos com o peso do passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão
habitação
saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
Depois de no passado domingo quase um milhão de pessoas terem participado, em Santiago, numa jornada de luta em prol de melhorias no sistema de ensino e em defesa de uma educação pública gratuita e de qualidade, cumpre-se hoje no Chile o segundo dia de uma Greve Geral de 48 horas convocada pelo maior sindicato do país.
Enquanto por cá se prolonga a letargia estival e o estado geral de bovinidade, olhemos para a luta dos estudantes e trabalhadores chilenos e percebamos de uma vez por todas que as grandes transformações sociais e políticas se iniciam sempre nas ruas... elas estão aí, à espera dos que não se rendem...
Através de um post do Paulo Jorge Vieira, publicado noCinco Dias, chegámos a este dejecto homofóbico assinado pelo director do jornal Sol.
Ao sempre execrável José António Saraiva, para não nos excedermos nas palavras e não cedermos à tentação do mais que merecido insulto, limitamo-nos a endossar esta música dos Clã (incluída no excelente "Disco Voador"):
Clã - "Arco-íris"
(Letra: Regina Guimarães / Música: Hélder Gonçalves)
há meninas em rebanho
e há bandos de rapazes
elas são sossegadinhas
eles devem ser audazes
dizes tu que não condizem
cor de rosa e azul celeste
cada sexo em seu lugar
foi assim que me fizeste
mas então por que razão
ainda vês com maus olhos
o homem que ama outro homem
a mulher que ama a mulher
se os separas à nascença
e fazes tanta questão
de manter a diferença
entre a irmã e o irmão
viva a maria rapaz
e o rapaz que não é peste
viva a roupa que baralha
o sexo de quem a veste
viva todo o arco-íris
e a cor que se mistura
sete quintas, meias tintas,
viva a fúria e a doçura
não me voltes a dizer
que as crianças a crescer
precisam de copiar
o papá e a mamã
deixa ser eu a escolher
por quem me perco e me dano
porque eu amo a minha irmã
e amo também o meu mano…
será que nunca sentiste
que somos pó de universo
sujeitos à atracção
do que é igual e diverso
e será que não gravitas
à volta de quem te ama?
use vestido ou gravata
borboleta busca chama…
amar sem olhar a quem
nem ao sexo nem à cor
não é vício nem pecado
não é mal nem mau olhado
amar sem medo ou vergonha
amar a torto e a direito
amar sem manha nem ronha
não é tara nem defeito
amar sem olhar a quem
não é tara nem defeito
amar sem olhar a quem
amar a torto e a direito
(Adenda: depois de lermos esta notícia, o post passa também a ter como destinatária a Companhia de Seguros Tranquilidade)