sábado, 31 de março de 2012

Um porco fascista é um porco fascista, quer use botas cardadas ou traje académico...

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"Os manifestantes não são um alvo a abater, são pessoas que estão a usar os seus direitos constitucionais."

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quinta-feira, 29 de março de 2012

Há já muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável # 4

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Constituição da República Portuguesa 
Artigo 37.º
Liberdade de expressão e informação
1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.
2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.

Artigo 45.º
Direito de reunião e de manifestação

1. Os cidadãos têm o direito de se reunir, pacificamente e sem armas, mesmo em lugares abertos ao público, sem necessidade de qualquer autorização.
2. A todos os cidadãos é reconhecido o direito de manifestação.



sexta-feira, 23 de março de 2012

Está na hora da CGTP optar pela unidade que apregoa ou pelo sectarismo que tantas vezes pratica

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A carga policial no Chiado não pode servir para rasurar o episódio lamentável que ontem ocorreu em S. Bento. A tentativa de impedir a entrada na praça de manifestantes dos movimentos sociais e a agressão a activistas dos Precários Inflexíveis, perpetrada pelo serviço de apoio/segurança da CGTP, são factos demasiado graves para que sejam silenciados.

Durante muito tempo (anos, décadas....) participámos em manifestações espartilhadas e controladas pela máquina da CGTP, ignorando provocações e simulando uma inexistente unidade na luta. 
Durante muito tempo (anos, décadas....) percorremos lado a lado avenidas e ruas, enchemos praças, fingindo não perceber quão indesejada era a nossa presença.
Durante muito tempo (anos, décadas....) aceitámos palavras de ordem estafadas, participando em  protestos inócuos e  pré-formatados  que a direita  se  compraz  elogiar  nos serões televisivos.
Durante muito tempo (anos, décadas....) fingimos ignorar o sectarismo de alguns sectores da CGTP, calando, engolindo, achando que um dia seria diferente...
Mas esse dia diferente, tal como ontem ficou demonstrado, teima em não chegar.

Após a vergonhosa acção do seu serviço de apoio/segurança na manifestação de ontem, e apesar de Arménio Carlos ter já lamentado o sucedido, será conveniente que os dirigentes da CGTP demonstrem claramente se optam pela unidade que apregoam ou pelo sectarismo que há tanto tempo praticam (anos, décadas....).

Nós sabemos de que lado estamos e quem é o inimigo. Esperamos que a CGTP também o saiba.


Comunicado da Direcção do Sindicato dos Jornalistas sobre a carga policial no Chiado

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Na sequência da brutal carga policial de ontem, de que foram vítimas diversos manifestantes e dois repórteres fotográficos, a Direcção do Sindicato dos Jornalistas emitiu o seguinte comunicado:

1. A Direcção do Sindicato dos Jornalistas manifesta o seu mais vivo repúdio pelas agressões, por agentes da Polícia de Segurança Pública, de que foram vítimas os jornalistas José Goulão e Patrícia Melo Moreira, repórteres fotográficos ao serviço, respectivamente, das agências noticiosas Lusa e France Presse, quando cobriam esta tarde uma carga policial sobre manifestantes no Chiado, em Lisboa.

2. O comportamento da PSP é absolutamente condenável e não pode ser deixado impune, face à brutalidade ilegítima e sem qualquer justificação, quando é claro, nomeadamente no caso do nosso camarada José Goulão, que este, já derrubado no chão e gritando a sua identificação como jornalista, continuou a ser agredido, sofrendo ferimentos que obrigaram a tratamento hospitalar.

3. O SJ manifesta a sua inteira solidariedade para com os camaradas agredidos e exige o apuramento de todas as responsabilidades até às últimas consequências – disciplinares e penais – não só pelas agressões, mas também pela violação clamorosa da liberdade de informação.

4. Nesta conformidade, independentemente dos procedimentos de natureza penal que os agredidos entendam tomar e das medidas que nomeadamente a Agência Lusa entenda encetar, a Direcção do SJ vai apresentar uma queixa formal ao Inspector-Geral da Administração Interna.

5. A Direcção do SJ entende, porém, que os graves acontecimentos de hoje, indiciadores de uma escalada de repressão sobre o trabalho dos jornalistas, exigem igualmente explicações públicas por parte do ministro da Administração Interna, na medida em que o comportamento da PSP é intolerável num Estado de Direito Democrático.


Lisboa, 22 de Março de 2012




Bófia (banda sonora para 2012, com o alto patrocínio do Governo de Pedro Passos Coelho e Miguel Macedo)

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BÓFIA
[Adolfo Luxúria Canibal / Zé dos Eclipses - Miguel Pedro]

O bófia empurrava-me e dizia para desandar. Eu não podia compreender porquê. Quis-lhe perguntar. O bófia sacou do casse-tête e deu-me com ele uma, duas, três vezes nos costados. Senti um choque eléctrico percorrer-me o corpo. E uma humilhação que não podia ficar impune. Não percebia por que é que ele me batia. Quis-lhe perguntar. Mas o gajo continuou a dar-me cacetadas e já outros bófias se aproximavam de casse-tête na mão. Não ia ficar para ali, especado, feito bombo da festa. Uma raiva surda trepava-me à cabeça. Ah, que raiva! Quando dou conta, mandava-lhe uma joelhada aos tomates. Senti-os a espalmar de encontro ao joelho. Já os outros bófias descarregavam sobre mim os seus casse-têtes virados ao contrário. Senti uma dor de vertigem quando um me acertou na cara. Percebi que a carne se rasgava e que um esguicho de sangue me inundava os olhos. Já me acertavam por todos os lados. Mas não interessava. Já nada interessava.

Sede de sangue!
Sede de sangue!
Sede de sangue!
Sede de sangue!

Já nada interessava. A não ser aquele bófia agarrado aos tomates. Num último esforço disparo-lhe um pontapé à cara. Assim, de baixo para cima - pás! Senti a biqueira da bota entrar-lhe pelas fuças dentro. Os ossos a quebrar. Os dentes a saltar numa baba de cuspe e sangue. Senti o olho a esborrachar-se sob a biqueira da bota. Os outros bófias continuavam a descarregar sobre mim os seus casse-têtes virados ao contrário. Mas eu já nada via. Só sangue. Dor. Senti-me dobrar. Cair.
Aaaaaaaaaahhh!...


Isto é a "democracia" e a "liberdade" que Pedro Passos Coelho e Miguel Macedo têm para te oferecer... Estás disposto a aceitá-las ou vais combatê-las?

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quinta-feira, 22 de março de 2012

Há já muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável # 3

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Todas as democracias doentes necessitam dos seus zelosos cães de guarda.
No Chiado vestiram farda, distribuiram bastonadas, agrediram manifestantes e jornalistas.
A pouca distância dali, em São Bento, outra espécie de cães de guarda também cumpriu a sua missão, mas a estes voltaremos mais tarde...



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Estamos em Greve!

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domingo, 18 de março de 2012

Vive la Commune! (no 141º aniversário do início da Comuna de Paris)

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No dia 22, a união faz a força!

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Todos podem fazer Greve Geral

P – Quem tem direito a fazer greve?
R – O direito à greve, consagrado na Constituição da República Portuguesa, é um direito de todos os trabalhadores, independentemente da natureza do vínculo laboral que detenham, do sector de actividade a que pertençam e do facto de serem ou não sindicalizados.

P – Pode um trabalhador não sindicalizado ou um trabalhador filiado num sindicato aderir à greve declarada por um outro sindicato?
R – Todos os trabalhadores que trabalham em Portugal podem fazer Greve Geral.
O pré-aviso emitido pela CGTP-IN abrange todos os trabalhadores e sectores de actividade (sindicalizados, não sindicalizados, sindicalizados em organizações sindicais não aderentes à Greve Geral, etc.)

P – Deve o trabalhador avisar antecipadamente a entidade empregadora da sua intenção de aderir a uma greve?
R – Não, o trabalhador, sindicalizado ou não, não tem qualquer obrigação de informar o empregador de que vai aderir a uma greve, mesmo no caso deste lho perguntar.

P – E depois de ter aderido à greve, tem que justificar a ausência?
R – Os trabalhadores não têm que proceder a qualquer justificação da ausência por motivo de greve.

P – O empregador pode por qualquer modo coagir o trabalhador a não aderir a uma greve ou prejudicá-lo ou discriminá-lo pelo facto de a ela ter aderido?
R – Não. É absolutamente proibido coagir, prejudicar e discriminar o trabalhador que tenha aderido a uma greve. Os actos do empregador, que impliquem coacção do trabalhador no sentido de não aderir a uma greve e/ou prejuízo ou discriminação pelo facto de a ela ter aderido, constituem contraordenação
muito grave e são ainda punidos com pena de multa até 120 dias (art.ºs 540.º e 543.º do CT, respectivamente).
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sábado, 17 de março de 2012

Lido por aí... # 27

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"Os Subsidiodependentes", a crónica de José Manuel Pureza na edição de ontem do Diário de Notícias:

A apologia do "empreendedorismo" contra a "subsidiodependência" é um dos traços do discurso da moda. A sua tese é a de que a lassidão passiva de uns quantos não deve ser premiada através de rendimentos garantidos que, para o serem, penalizam os contribuintes, ou seja, todos nós. Porque a lassidão remunerada perpetua a lassidão. À dependência de subsídios públicos deve substituir-se o arrojo pessoal, diz-nos esse discurso. A ética do trabalho e do risco é assim posta ao serviço da diminuição das responsabilidades do Estado.

Ora, este discurso tem dois problemas. O primeiro é a sua escolha política de um Estado que passa ao lado da garantia de direitos essenciais, desde a dignidade básica de quem está desempregado ou vive abaixo do limiar da pobreza até à efetiva liberdade de fruição da diversidade da criação cultural. O segundo problema é a sua seleção de alvos: os pobres e desempregados são subsidiodependentes, os grupos económicos são "compensados".

O folhetim das rendas pagas pelo Estado às produtoras de energia elétrica é, a este respeito, muito revelador. As "compensações" pagas pelos contribuintes portugueses à EDP, seja no âmbito dos chamados custos para a manutenção do equilíbrio contratual seja como apoio à produção de energias renováveis e à cogeração, orçam este ano 1700 milhões de euros, ou seja, perto de 50 euros pagos para cada família. Por entender que esta renda é exagerada e aventar a possibilidade de a corrigir através de uma sobretaxa à produção elétrica, o secretário de Estado da Energia foi afastado. Pensou demais e a destempo. Primeiro era preciso não afugentar os compradores da privatização, depois era imperioso não os irritar. Para o Governo, o negócio da China teve prevalência sobre o interesse público. E quem se mete com o negócio da China leva, está visto. Mas, chinesices à parte, as elétricas arrogam-se o direito de falar grosso ao Governo porque se sabem a prestar um serviço que é público. Pouco lhes importa se é também um negócio privado. Mais até: é melhor para elas que não se fale disso. Porque falar-se ainda poderia levar as pessoas a pensar que, como numa retrosaria ou num restaurante, os negócios privados são por conta e risco de quem os leva a cabo. Não, para a chefia da EDP há negócios privados - o seu, claro - que devem ser alimentados pelo Estado, através de rendas. Ou seja, através do rendimento garantido por subsídios contra todos os riscos. O empreendedorismo fica para os outros.

O rentismo é de há muito o modo de ser da nossa elite económica e empresarial. Essa alergia da aristocracia empresarial portuguesa ao risco e o seu apetite por regimes de favor tem-se traduzido ora na exploração de monopólios naturais ora na garantia de rendas chorudas e imunes à normal oscilação dos negócios. E este modo de operar evidencia uma permanência histórica notável que vai desde a concessão do monopólio dos tabacos no século XIX até às parcerias público-privado nos nossos dias.

Na rede de estradas, na rede hospitalar e em diversos outros domínios, o Estado, impedido pelo garrote do Pacto de Estabilidade e Crescimento de contrair crédito para investir, transfere essa responsabilidade para privados. Em bom rigor, porém, a responsabilidade revela-se um favor porque, além de lhes pagar uma renda mais do que generosa, o Estado assume todos os riscos de construção, de procura, de estrutura e de negócio que, pela sua natureza, deveriam ser imputados à entidade privada. A consequência é conhecida: o negócio das derrapagens orçamentais tornou-se a fonte inesgotável da subsidiodependência dos "empreendedores".

Falem-nos, pois, dos males da lassidão remunerada e dos méritos do empreendedorismo. Sei de quem estão a falar.


Petição contra a redução do número de carruagens na Linha Verde do Metro de Lisboa

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No dia 22 de Fevereiro de 2012 os comboios da Linha Verde do Metro de Lisboa passaram a circular com apenas 3 carruagens. A justificação publicada no site do Metro de Lisboa foi a seguinte: “Por motivos de adequação da oferta à procura do serviço metro será implementado um novo modelo de circulação na rede de metro. Assim, a partir do dia 22 de fevereiro, os comboios na Linha verde passam a circular com três carruagens.”

Esta situação levou a que os comboios estejam sempre cheios, sendo extremamente desconfortável viajar no meio de uma massa comprimida de pessoas o que, além do desconforto, potencia situações de criminalidade.

Esta medida, especialmente numa das linhas com mais utilizadores, constitui um retrocesso na qualidade do serviço prestado, passando este a ser um mau serviço, tornando desproporcional a relação entre o preço praticado e a qualidade do serviço prestado.


Divulga e assina a petição AQUI 



(imagem retirada de O Carmo e a Trindade)

Organiza-te, resiste, luta!

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No dia 22 de Março, dia de greve geral, a Plataforma 15 de Outubro entende ser imperativo sair à rua para uma manifestação em defesa de todos/as os trabalhadores/as: desempregados/as, precários/as, pensionistas, estudantes e os activos/as que vêm com o novo pacote laboral os seus direitos duramente conquistados serem roubados por um governo tirano no seu desrespeito pelos contratos sociais e pela própria constituição!

O desemprego atinge níveis nunca vistos na história recente de Portugal, 35% dos jovens até aos 25 anos estão desempregados, todos os dias milhares de trabalhadores/as são abjectamente explorados/as através de contratos de trabalho abusivos e recibos verdes, e à geração mais escolarizada da história deste país, aquela em que mais se investiu, é lhe mandada emigrar. A plataforma considera assim essencial ir para a Rua em dia de greve geral exigir o fim imediato de políticas de austeridade, impostas pelo governo e pela Troika que destroem as conquistas de Abril e lançam todos os dias os trabalhadores/as para uma situação de pobreza que o próprio Passos Coelho admitiu fazer parte da sua estratégia política.

No dia 22 de Março, a plataforma 15 de Outubro sai à rua numa manifestação porque não queremos sofrer o mesmo destino trágico do povo grego!





domingo, 11 de março de 2012

Petição a favor da ES.COL.A do Alto da Fontinha

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A antiga escola primária do Alto da Fontinha, abandonada pelas autoridades há mais de 5 anos e vandalizada diversas vezes, foi ocupada por um grupo de pessoas que está a devolver aquele espaço público à comunidade.

Todas as semanas há uma assembleia aberta do ESpaço COLetivo Autogestionado, ES.COL.A, onde se decidem quais as actividades, tarefas e trabalhos de reabilitação a realizar neste espaço.

O espaço, que se encontrava abandonado e vandalizado, está a tornar-se num lugar agradável, renovado, limpo e capaz de receber actividades, tais como aulas de desenho, ciclo de cinema, yoga, apoio escolar e criação de uma biblioteca e espaço para brincar.

Queremos continuar a melhorar e usar este espaço para mostrar que espaços abandonados podem tornar-se vivos e com benefício para a comunidade.

As pessoas abaixo assinadas apoiam este projecto e querem mantê-lo, não comercial e autogestionado pela comunidade.


Divulga e assina a petição AQUI

Mais informações sobre o ESpaço COLetivo Autogestionado, ES.COL.A, disponíveis em escoladafontinha.blogspot.com

 

A Assunção Cristas também tinha fé que choveria em breve e afinal está um calor do caraças...

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Organiza-te e resiste # 1

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sábado, 10 de março de 2012

Comunicado de Imprensa da IAC: Conflito de interesses põe em causa a validade e a credibilidade da auditoria às PPP

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O Governo atribuiu à consultora Ernst & Young a auditoria a 36 parcerias público-privadas e a 24 concessões, tal como previsto no Memorando de Entendimento com a Troika. O valor da auditoria é de 250 mil euros. Para a Iniciativa Cidadã de Auditoria à Dívida Pública, esta adjudicação não assegura critérios de independência e imparcialidade.

A Ernst & Young trabalha actualmente para os grupos José de Mello Saúde, Somague e Águas de Portugal, ENDESA e IBERDROLA, entre vários outros. Estes grupos são parte interessada, isoladamente ou em consórcios, em várias das PPP e concessões sujeitas à auditoria adjudicada à Ernst & Young. Há ainda outras empresas para as quais a consultora trabalhou no passado recente e que são também concessionárias de PPP.

As empresas para as quais a consultora presta serviços estão envolvidas, entre outras, nos consórcios da Lusoponte, Auto-Estradas do Atlântico, Auto-Estradas Túnel do Marão, Hospital de Braga e Hospital de Vila Franca, Barragens de Gouvães, Alto Tâmega, Daivões e Girabolhos.

Este é um caso flagrante do conflito de interesses que pode afectar os consultores externos, tal como realça o Tribunal de Contas nas suas directrizes para auditorias externas a PPP (2008): “o consultor externo que venha a prestar serviços ao parceiro público não poderá prestar assessoria ao parceiro privado ou a qualquer entidade que se apresente como concorrente no âmbito dessa parceria” (http://www.tcontas.pt/pt/actos/manual/LinhasOrientaPPP.pdf).

As quatro maiores empresas multinacionais de consultoria — Ernst & Young, PricewaterhouseCoopers, KPMG e Deloitte — lideram, juntamente com bancos e empresas de construção, o sector das parcerias público-privadas em todo o mundo. Estas multinacionais prestam serviços de revisão oficial de contas, consultoria fiscal, assessoria das PPP, auditoria, apoio a transacções, avaliação de mercados, entre outros.

Para a IAC, uma auditoria feita pela mesma entidade que prestou e presta serviços aos grupos beneficiários de PPP não reúne condições de independência. E a independência e isenção são critérios incontornáveis neste contexto.

A IAC exige uma auditoria urgente às parcerias público-privadas em condições de isenção e de independência.




Em complemento ao comunicado da IAC, sugerimos a leitura do texto de João Camargo, "Estará a Ernst & Young em condições de realizar uma auditoria independente às PPP de empresas para as quais presta serviços?", igualmente disponível no site da Iniciativa Cidadã de Auditoria à Dívida Pública.  

quinta-feira, 8 de março de 2012

Festa Feminista – O Lado F da Crise (sexta-feira, dia 09 de Março)

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Para comemorar o 8 de Março – Dia Internacional das Mulheres, no tempo em que a crise e a austeridade ameaçam todos os direitos, os que temos e os que ainda queremos conquistar, decidimos contrariar o conformismo e o isolamento e festejar a luta feminista. Juntamos movimentos sociais e lutas comuns, afirmamos a solidariedade e agimos em conjunto. Propomos uma festa onde todas as pessoas tenham lugar, um espaço livre de opressões e preconceitos, no qual as mulheres são as protagonistas. O lado feminista da crise é o da festa e o da força da nossa resposta – ampliar o campo do possível, tomando o futuro nas nossas mãos.

NÃO QUEREMOS VOLTAR AO SÉC. XIX. As medidas de austeridade são apregoadas como a única resposta à crise, diminuindo drasticamente direitos e apoios sociais, reduzindo o valor do trabalho, das reformas e o investimento público, privatizando serviços públicos. A quem trabalha, mais pobre e mais frágil, é pedido que pague uma crise pela qual não é responsável. Esta estratégia, tornada mais brutal por imposição da troika e pelo governo das direitas, só traz recessão económica, desemprego e pobreza generalizada. O desemprego está nos 14% e mais de metade destas pessoas não tem acesso ao subsídio de desemprego. Há, então, cerca de 500 mil mulheres desempregadas e milhares sem qualquer fonte de rendimento.

A situação é difícil não só no plano da desigualdade mas também no plano das condições de possibilidade da emancipação das mulheres. Na sua maioria, votadas ao desemprego ou à precariedade laboral, sem protecção e apoio social, sem serviços públicos que assegurem os cuidados com as crianças e com as pessoas idosas, as mulheres vêem-se obrigadas a voltar para casa e aí permanecem aprisionadas a uma condição que volta a ter os contornos da dos séculos passados, porque a mesma estrutura sexista subsiste e continua a organizar a nossa sociedade estipulando os papéis sociais que cada pessoa deve ter. Estamos, de facto, a voltar atrás no tempo: as mulheres jovens dificilmente saem de casa e se tornam independentes, com menos direitos as mulheres trabalhadoras ficam mais vulneráveis em relação aos patrões e as desempregadas estão mais dependentes do apoio da família, porque do Estado pouca ajuda têm. Se a maioria das mulheres continua a ser mão-de-obra mais barata, a vida das mulheres imigrantes, em particular, é ainda mais austera porque subjugada também por uma cidadania diminuída, pela discriminação e pelo preconceito. Também o trabalho sexual não pode continuar a ser exercido sem direitos, nem protecção social. Actrizes, dançarinas ou prostitutas, as mulheres estão presentes na indústria do sexo e o seu trabalho tem urgentemente de ser reconhecido. A desigualdade, enraizada socialmente, alimenta-se da crise económica e o sexismo encontra aí um campo de reafirmação, tal como a ideologia da austeridade se torna mais forte quanto mais vulneráveis e oprimidas forem as mulheres, enquanto trabalhadoras e enquanto cidadãs. É preciso uma mobilização feminista contra a crise.

PELO DESEJO E PRAZER SEM CULPA. A sociedade moralista tem limitado a emancipação das mulheres também no que se refere à vivência da sua sexualidade, impedindo-as de manifestarem abertamente os seus desejos e experienciarem o prazer sem medos, culpas ou tabus. De facto, o prazer continua submetido aos critérios masculinos impostos. As mulheres devem poder amar quem, quando e como quiserem, fora de um modelo de família que as vê apenas como incubadoras, responsáveis pelo lar e pelo cuidado de terceiras pessoas. Poder decidir sobre o seu corpo e escolher livremente sobre a maternidade torna o direito ao aborto um bem fundamental - não aceitamos voltar atrás.

A IDENTIDADE E OS CORPOS SÃO NOSSOS! Ser mulher é a exigência ao direito universal pela autodeterminação, pela autodefinição, pela identidade, pela livre orientação sexual e pela livre expressão de todos os géneros. Hoje em dia, ainda é negado o direito à identidade e mesmo quando este é concedido, está dependente de decisões de “autoridade médica”, através de “tratamentos psiquiátricos” e demais mecanismos patriarcais de controlo e desumanização. É-lhes, assim, negada a capacidade de decisão sobre as suas vidas, os seus corpos e as suas identidades. Perante as mulheres transexuais a quem é pedido que provem ser mulheres, e perante os homens transexuais e demais pessoas transgénero e intersexo a quem é solicitado que sigam leis sociais, cuja condição de existência é o machismo, questionamo-nos: deverão as mulheres transexuais e transgénero representar a ideia de mulher perfeita? Rejeitamos todas as normas impostas por esta sociedade machista.

TODOS OS ESPAÇOS LIVRES DE OPRESSÃO JÁ! Os números da violência de género são um sinal muito forte de que o modo como nos organizamos, vivemos e relacionamos permanece alicerçado em relações de poder desiguais, regradas pelo machismo e pela violência. Em 2011, morreram 23 mulheres vítimas deste crime e houve mais de 31 mil queixas registadas. Sabe-se que, na Europa, uma mulher é vítima de violência doméstica a cada 48 horas. Estas vítimas precisam de apoio, a Justiça tem de funcionar e a sociedade tem de mudar. Para isso, a família, a casa ou as relações amorosas não podem ser prisões. Além disto, o problema do assédio sexual, assim como a violação por estranhos e o stalking (perseguição continuada e invasão do espaço de privacidade) permanecem nas ruas, nas escolas ou nos locais de trabalho, reflectindo uma sociedade ainda muito ancorada na ideia da mulher enquanto ser que está aí para cumprir o seu papel, ser vista e avaliada, tocada. Este sentimento de vulnerabilidade impede o exercício da liberdade e o usufruto do espaço público. É, portanto, uma forma de censura social e de limitação de movimento, de expressão. A isto não se pode chamar democracia.

OCUPAR TUDO! A desigualdade de género reveste-se muitas vezes sob a máscara da invisibilidade. Silenciadas e tornadas transparentes, as mulheres são votadas a um estatuto menor na sociedade, arredadas dos centros da participação, decisão e representação política e social. É uma realidade transversal a todos os espaços e sectores sociais e que ainda persiste. Além disso, a opressão de género, seja qual for a sua forma, torna-nos mais vulneráveis e por isso mais expostas ao julgamento público e aos modelos dominantes. Mas nós queremos decidir sobre as nossas vidas, em todos os seus aspectos, e, por isso, ocuparemos os movimentos, os sindicatos, as assembleias populares, as ruas, o parlamento. Este mundo também é nosso, e nós também o pensamos, estudamos, criamos. Ocupemos também os centros de investigação, os palcos, os museus, as conferências, as colunas de opinião, as galerias, as livrarias, os cinemas, as festas. Ocupemos todos os espaços da sociedade, das nossas vidas, desde os da representação aos da decisão, todos, sem excepções.

DIA 9 DE MARÇO, FESTA FEMINISTA – O LADO F DA CRISE.
ESTA FESTA TAMBÉM É TUA. CONTAMOS CONTIGO


Rede 8 de Março


Flashmob "8 de Março - O aborto é um direito!"

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Passam já 5 anos desde que, no referendo de dia 11 de Fevereiro, o «Sim» ganhou e se despenalizou a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG). Mas ainda há hospitais que se negam a realizar a IVG, como o Fernanda Fonseca (Amadora-Sintra), São Francisco Xavier, Évora, Ponta Delgada, Angra do Heroísmo, Torres Vedras.

Ainda há entraves burocráticos nos centros de saúde, por exemplo, no encaminhamento para as consultas prévias. Durante este processo, por vezes, o pequeno prazo estipulado de 10 semanas é ultrapassado e a mulher vê negado o seu direito à IVG e é arredada para o espaço da punição e da clandestinidade.

Os direitos não podem ter prazos de validade e nós não queremos continuar a ser cidadãs de segunda, vendo as nossas vidas decididas pelo Estado ou por qualquer cardeal.

Os governantes insistem na ideia de que a melhor forma de evitar e prevenir o aborto é proibir ou encarecer, e, por isso, o Governo prepara-se para taxar o aborto, aumentando brutalmente as taxas moderadoras, em particular a aplicável para o caso de repetição. A isto respondemos: a prevenção faz-se através do planeamento familiar gratuito e universal e de uma educação sexual alargada à sociedade.

A crise não pode ser uma desculpa para taxar direitos nem para os retirar.

Não podemos deixar em mãos alheias o destino que queremos dar ao nosso corpo e à nossa vida. A lei do aborto tem de ser uma lei que nos sirva, a nós mulheres, e não uma que sirva apenas os interesses económicos, impondo modelos éticos, de família, de maternidade.

 
Por isso, no dia 8 de Março, afirmamos a nossa posição e dizemos: «O aborto é um direito.»

Traz um papel/cartaz com esta frase e aparece às 18:30h para participar num Flash Mob, em frente à residência oficial do 1º Ministro
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 Rede 8 de Março


Dia Internacional da Mulher

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(O texto de Maria Velho da Costa, "Revolução e mulheres", pode ser lido aqui)

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domingo, 4 de março de 2012

Entre nós e as palavras # 31

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Chamam destino ao rifão do acaso
e chamam à fraude boa fortuna.
Crêem no Batman e na Virgem Maria.
Duvidam do frio, não da polícia
e nunca dão crédito àquilo que vêem.


Reservam a tempo um lugar na geral,
põem o pé entre duas ciladas
e ficam a rir-se nas fotografias.
Sujam a roupa tal como nós, mas
mandam-na sempre a lavandarias
que sabem tratar dos casos difíceis.


Nunca dão ponto sem antes o nó,
mas fazem um laço por cima do nó.
Compram revistas de aval científico
em cujos artigos se prova o seguinte:
é quase impossível determinar
se é falsa uma lágrima ou se é verdadeira.


Depois, jantam em grupo, falam dinheiro,
guiam a vida por grandes veredas e ouvem
sininhos, muitos sininhos de música sacra.


José Miguel Silva - "Contra os optimistas"


(Imagem: Banksy)


sábado, 3 de março de 2012

Cinematógrafo do Reviralhos # 17

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The Times of Harvey Milk
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Os Tempos de Harvey Milk (1984)





Título: The Times of Harvey Milk - Os Tempos de Harvey Milk (1984)

Realização: Robert Epstein

Argumento: Robert Epstein

Duração: 88 minutos
 
 
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