terça-feira, 30 de agosto de 2011

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A Democracia sai à rua. E nós saímos com ela.



PROTESTO APARTIDÁRIO, LAICO E PACÍFICO

− Pela Democracia participativa.
− Pela transparência nas decisões políticas.
− Pelo fim da precariedade de vida.


MANIFESTO:

Somos “gerações à rasca”, pessoas que trabalham, precárias, desempregadas ou em vias de despedimento, estudantes, migrantes e reformadas, insatisfeitas com as nossas condições de vida.

Hoje vimos para a rua, na Europa e no Mundo, de forma não violenta, expressar a nossa indignação e protesto face ao actual modelo de governação política, económica e social. Um modelo que não nos serve, que nos oprime e não nos representa.

A actual governação assenta numa falsa democracia em que as decisões estão restritas às salas fechadas dos parlamentos, gabinetes ministeriais e instâncias internacionais. Um sistema sem qualquer tipo de controlo cidadão, refém de um modelo económico-financeiro, sem preocupações sociais ou ambientais e que fomenta as desigualdades, a pobreza e a perda de direitos à escala global. Democracia não é isto!

Queremos uma Democracia participativa, onde as pessoas possam intervir activa e efectivamente nas decisões. Uma Democracia em que o exercício dos cargos públicos seja baseado na integridade e defesa do interesse e bem-estar comuns.

Queremos uma Democracia onde os mais ricos não sejam protegidos por regimes de excepção. Queremos um sistema fiscal progressivo e transparente, onde a riqueza seja justamente distribuída e a segurança social não seja descapitalizada; onde todas as pessoas contribuam de forma justa e imparcial e os direitos e deveres dos cidadãos estejam assegurados.

Queremos uma Democracia onde quem comete abuso de poder e crimes económicos e financeiros seja efectivamente responsabilizado por um sistema judicial independente, menos burocrático e sem dualidade de critérios. Uma Democracia onde políticas estruturantes não sejam adoptadas sem esclarecimento e participação activa das pessoas. Não tomamos a crise como inevitável. Exigimos saber de que forma chegámos a esta recessão, a quem devemos o quê e sob que condições.

As pessoas não são descartáveis, nem podem estar dependentes da especulação de mercados bolsistas e de interesses financeiros que as reduzem à condição de mercadorias. O princípio constitucional conquistado a 25 de Abril de 1974 e consagrado em todo o mundo democrático de que a economia se deve subordinar aos interesses gerais da sociedade é totalmente pervertido pela imposição de medidas, como as do programa da troika, que conduzem à perda de direitos laborais, ao desmantelamento da saúde, do ensino público e da cultura com argumentos economicistas.

Os recursos naturais como a água, bem como os sectores estratégicos, são bens públicos não privatizáveis. Uma Democracia abandona o seu futuro quando o trabalho, educação, saúde, habitação, cultura e bem-estar são tidos apenas como regalias de alguns ou privatizados sem que daí advenha qualquer benefício para as pessoas.

A qualidade de uma Democracia mede-se pela forma como trata as pessoas que a integram.

Isto não tem que ser assim! Em Portugal e no Mundo, dia 15 de Outubro dizemos basta!

A Democracia sai à rua. E nós saímos com ela.


Acampada Lisboa – Democracia Verdadeira Já 19M
Alvorada Ribatejo
Attac Portugal
Indignados Lisboa
M12M – Movimento 12 de Março
Movimento de Professores e Educadores 3R’s
Portugal Uncut
Precários Inflexíveis

Entre nós e as palavras # 27




Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente à secular justiça,
para que os liquidasse “com suma piedade e sem efusão de sangue.”
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de uma classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa – essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez
alguém está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
– mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga –
não hão-de ser em vão. Confesso que
muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam “amanhã”.
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.

Jorge de Sena - "Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya" 


Vídeo: Mário Viegas (voz), Luís Cília (música)


sábado, 27 de agosto de 2011

Não queremos as vossas migalhas, queremos que paguem o que devem # 2


Só para relembrar os mais desatentos.

Esta foi a primeira proposta apresentada pelo Bloco de Esquerda durante a campanha eleitoral das últimas eleições legislativas: uma reforma profunda da tributação sobre a propriedade



Não queremos as vossas migalhas, queremos que paguem o que devem



Numa semana repleta de demagogia de direita em torno da taxação das grandes fortunas (basta lermos isto e isto para percebermos qual a posição dos partidos do governo e de Cavaco Silva), vale a pena ler o artigo de opinião de Carvalho da Silva, "Ricos encenam, povo paga", publicado hoje no Jornal de Notícias:

Cresce no seio do povo o sentimento de que a sociedade está mais injusta e que é acelerado o empobrecimento. Os ricos e poderosos já perceberam que esta situação pode tornar-se perigosa e procuram travar o seu desenvolvimento. A este propósito transcrevo o que afirma o relatório à conferência anual (Junho) da Organização Internacional do Trabalho (OIT): "O sentimento de injustiça, que não se iniciou com a crise, mas que a crise ampliou em grande medida, agudiza-se. Os que, com toda a razão, se sentem menos responsáveis por ela estão pagando um preço muito alto. Os que, com toda a razão, são considerados responsáveis por a terem provocado não parecem estar muito afectados, nem dispostos a reverem o seu comportamento, com o objectivo de evitar que ela se repita".

É oportuno relembrar que, desde há muito, a OIT releva como causas do prolongamento da crise três factores: os accionistas dos grandes grupos financeiros e económicos estão a, em nome da crise, apoderar-se dos lucros das empresas limitando o investimento (privado e público); a retribuição do trabalho está a diminuir (em termos absolutos ou relativos); a precariedade está a aumentar aceleradamente.

Nas últimas semanas, surgiram nos EUA e na Europa alguns ricos "preocupados" com a injustiça fiscal a disponibilizarem-se para pagar mais qualquer coisa e, em vários países, inclusive em Portugal, desencadeou-se uma discussão sobre o tema. Trata-se de uma atitude que importa analisar, aproveitando para desencadear discussões e propostas com conteúdo e eficácia.

Aqueles ricos - cujas fortunas são feitas em grande parte a partir de processos especulativos, de vantagens obtidas junto dos poderes que lhes permitem saques aos orçamentos do Estado e aos bens dos povos, de uma exploração desmedida de quem trabalha nos mais diversos cantos do Mundo - querem lavar a face e lançar umas "pinceladas de justiça" sobre o edifício da exploração capitalista que deve continuar como está.

No meio deste movimento pode haver alguma alma altruísta. Há sempre excepções. Contudo, no nosso país até vimos o contrário, pois apareceram logo ricos a reclamar a sua condição de trabalhadores, numa expressão do mais profundo egoísmo e conservadorismo.

Encontre-se forma de as grandes fortunas pagarem. Mas não pode ser mais um imposto sobre o rendimento (aí já temos), tem de ser sobre a riqueza e, em particular, sobre o património mobiliário. E não esqueçamos que o corte no 13.º mês significa mais de mil milhões de euros retirados a grande parte de quem trabalha.

Passemos, entretanto, à discussão das medidas de fundo que é preciso adoptar.

O país precisa, não de esmolas pontuais dos ricos, mas sim de: i) um sistema tributário justo e progressivo que seja efectivamente aplicado; ii) utilização de parte significativa da riqueza para novos investimentos com vista à criação de emprego e à produção de bens e serviços úteis ao desenvolvimento; iii) um conjunto de medidas que garanta melhor distribuição e redistribuição da riqueza; iv) valorização do trabalho, reconstruindo o seu lugar na economia.

A forma mais segura e eficaz de evitar o aprofundamento das desigualdades, as injustiças e a riqueza desmedida de alguns é garantir dignidade ao trabalho, remunerações justas e um Estado Social universal e solidário.

É preciso executar políticas que assegurem eliminação da fraude e evasão fiscais, taxação dos movimentos bolsistas, combate aos paraísos fiscais (em Portugal desde Janeiro de 2010 já fugiram para lá 3,5 mil milhões de euros sem pagar um cêntimo de impostos), englobamento da riqueza para que cada português pague impostos de acordo com o que possui, combate à economia paralela que movimenta por ano cerca de 30 mil milhões de euros, reformas no sistema de justiça que não permitam a legalização do roubo a que assistimos todos os dias.

Reforce-se a protecção social e os rendimentos dos mais necessitados, actualize-se o SMN, melhorem-se os salários e efective-se a contratação colectiva (importante instrumento de combate às desigualdades e de justa distribuição da riqueza), impeça-se a revisão da legislação laboral que visa embaratecer e desproteger o trabalho.

Por aqui é possível construir uma sociedade mais justa.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

El pueblo unido jamás será vencido! # 2



Depois de no passado domingo quase um milhão de pessoas terem participado, em Santiago, numa jornada de luta  em prol de melhorias no sistema de ensino e em defesa de uma educação pública gratuita e de qualidade, cumpre-se hoje no Chile o segundo dia de uma Greve Geral de 48 horas convocada pelo maior sindicato do país.

Perante a dimensão dos protestos, que contam com o apoio da generalidade da população, o governo chileno começa a vacilar e demonstra disponibilidade para negociar com os estudantes e os trabalhadores.

Enquanto por cá se prolonga a letargia estival e o estado geral de bovinidade, olhemos para a luta dos estudantes e trabalhadores chilenos e percebamos de uma vez por todas que as grandes transformações sociais e políticas se iniciam sempre nas ruas... elas estão aí, à espera dos que não se rendem...




Já assinaste?





Mais informações em www.leicontraaprecariedade.net


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A cantiga é uma arma (contra a homofobia) # 10


Através de um post do Paulo Jorge Vieira, publicado no Cinco Dias, chegámos a este dejecto homofóbico assinado pelo director do jornal Sol.

Ao sempre execrável José António Saraiva, para não nos excedermos nas palavras e não cedermos à tentação do mais que merecido insulto, limitamo-nos a endossar esta música dos Clã (incluída no excelente "Disco Voador"):




Clã - "Arco-íris"
(Letra: Regina Guimarães / Música: Hélder Gonçalves)

há meninas em rebanho
e há bandos de rapazes
elas são sossegadinhas
eles devem ser audazes


dizes tu que não condizem
cor de rosa e azul celeste
cada sexo em seu lugar
foi assim que me fizeste


mas então por que razão
ainda vês com maus olhos
o homem que ama outro homem
a mulher que ama a mulher
se os separas à nascença
e fazes tanta questão
de manter a diferença
entre a irmã e o irmão


viva a maria rapaz
e o rapaz que não é peste
viva a roupa que baralha
o sexo de quem a veste


viva todo o arco-íris
e a cor que se mistura
sete quintas, meias tintas,
viva a fúria e a doçura


não me voltes a dizer
que as crianças a crescer
precisam de copiar
o papá e a mamã
deixa ser eu a escolher
por quem me perco e me dano
porque eu amo a minha irmã
e amo também o meu mano…


será que nunca sentiste
que somos pó de universo
sujeitos à atracção
do que é igual e diverso


e será que não gravitas
à volta de quem te ama?
use vestido ou gravata
borboleta busca chama…


amar sem olhar a quem
nem ao sexo nem à cor
não é vício nem pecado
não é mal nem mau olhado
amar sem medo ou vergonha
amar a torto e a direito
amar sem manha nem ronha
não é tara nem defeito


amar sem olhar a quem
não é tara nem defeito
amar sem olhar a quem
amar a torto e a direito



(Adenda: depois de lermos esta notícia, o post passa também a ter como destinatária a Companhia de Seguros Tranquilidade)
.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Cinematógrafo do Reviralhos # 12


Inside Job - A Verdade da Crise (2010)





Título: Inside Job - A Verdade da Crise (2010)

Realização: Charles Ferguson

Argumento: Charles Ferguson, Chad Beck e Adam Bolt

Duração: 109 minutos



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Job$ for the boy$






Sobre os tumultos em Londres

. . . .


Sobre os tumultos em Londres, que rapidamente se propagaram a outras cidades inglesas, vale a pena não só  ler o texto de Nina Power, "As London Explodes in Riots, There Is a Context That Can't Be Ignored: Brutal Cuts and Enforced Austerity Measures", mas também  a extensa e aprofundada análise de Jérôme E. Roos, "London calling: a haunting glimpse into our future?", publicada hoje na revista online  Reflections on a Revolution (ROAR) e que a seguir transcrevemos:

The riots spreading through London are a terrifying reminder of what lies ahead as the austerity-obsessed West nosedives into economic collapse.

The markets plummet and London burns. Whatever your political inclinations may be, there’s no denying the apocalyptic quality to the headlines coming out of Europe’s largest city right now. What we are witnessing is financial meltdown and social meltdown in tandem. And, while there is no direct causal relationship between the two historical moments, there’s a connecting theme that unites them in a complex dialectic of collapse.

So this is what things have come to: a societal tragedy of unfathomable proportions. What the UK is experiencing right now is the total breakdown of social cohesion into utter lawlessness and indiscriminate violence. On the third consecutive day of unrest, rioting and looting spread throughout the capital and — for the first time — to other UK cities as well. And while I hate to be gloomy, I have to remind you once again that this is only just the beginning.

With over 20 poorer neighborhoods in London convulsing in the flames of rage, and with the unrest spreading to disadvantaged areas in Birmingham, Liverpool, Leeds and Bristol, this total breakdown of law and order has an undeniable structural quality to it. The explosion of anger and cynicism may have come as a complete surprise to the authorities, but locals have known this to be simmering beneath the surface for years — if not decades.

So when Boris Johnson, as Mayor of London, refers to the social unrest as ”nothing more than wanton criminality,” he engages in an extremely dangerous simplification. After all, violence is a complex phenomenon that arises from an intricate dialectic between behavioral/psychological (individual) factors on the one hand, and cultural/socio-economic (structural) factors on the other. It is in their complex interplay that we must look for answers.


The Structural Component

The United Kingdom has always been one of the most unequal and least socially-mobile societies in the Western world. Among continental Europeans, it is notorious for tolerating the existence of what Oscar Lewis has called an “underclass“, and what Marx referred to as the “lumpenproletariat“, or the “refuse of all classes” that continues to live an unproductive existence at the margins of society, excluded for all practical purposes from the basic functioning of the market system.
The numbers, in this respect, are telling. In 2003 and 2004, a whopping 21 percent of children in the UK grew up in households below the poverty line (after housing costs are taken into account, this rises to an incredible 28 percent). One EU study this year found that 17 percent of UK youths qualify as “NEETs” — Not in Employment, Education or Training, “in other words high-school dropouts with no prospects of employment.” The same study found that over 600,000 people under the age of 25 have never had a day of work.

While it would be ridiculous to use such statistics as a justification for the dangerous, irresponsible and anti-social behavior of the rioters, it would be just as foolish to simply ignore this crucial social context and only focus on the “aberrant behavior” of “deviant individuals.” The violence and thievery may be entirely indiscriminate and a-political, but the root causes of it are profoundly political and carry a very clear discriminatory component.

A society where an hour’s bus ride from Kensington to Newham takes you across a six year reduction in male life expectancy – from 78.5 years to 72.4 – is a profoundly sick society. The gap is actually bigger than the one between the US and Nicaragua, with the latter being the second poorest country in Latin America. London, in other words, may be the most expensive city in the world, but it literally contains a developing country within its city boundaries.

Even the pro-market Financial Times last year warned that “Britain must mind the gap”. Referring to a landmark government report, it wrote that “the UK suffers from high inequality,” and “saw a surge in its Gini coefficient, a measure of inequality, between the mid-1980s and mid-1990s. Since then, increased redistribution has managed to slow this process. But British inequality is a problem that will not disappear. It has deep roots and cannot be ignored.”

In their crucial book, The Spirit Level: Why Equality Is Better for Everyone, Richard Wilkinson and Kate Pickett provide a wide array of statistical evidence to back up their claim that unequal societies tend to produce (in addition to a range of other social and medical problems) more violence and more crime. As a result of this, the UK prison population nearly doubled from 46,000 to 80,000 in the two short decades between 1990 and 2007.


The Individual Component

So how does this social reality affect the individual? The Guardian quoted criminologist John Pitts as saying that ”many of the people involved are likely to have been from low-income, high-unemployment estates, and many, if not most, do not have much of a legitimate future … Those things that normally constrain people are not there. Much of this was opportunism but in the middle of it there is a social question to be asked about young people with nothing to lose.”

While there is never any justification for selfish theft and wanton violence against innocent individuals, the looters find ways to justify their actions. “They feel they can rationalise it by targeting big corporations. There is a sense that the companies have lots of money, while they have very little.” Indeed, in a fascinating conversation caught on tape by the BBC, a couple of girls boasted that the riots are about “showing the rich we can do what we want.”

There are two crucial components to this seemingly simple sentence. First of all, there’s the powerful assertion of “doing what we want.” As Lukács put it, under the ruthless logic of the market, “the personality can do no more than look on helpless while its own resistance is reduced to an isolated particle fed into an alien system.” Violence becomes a psychological tool for breaking out of that hostile universe and reclaiming a sense of agency. In Pitts’ words, looting makes “powerless people suddenly feel powerful,” which is “very intoxicating”.

Secondly, there’s the overt class component that the BBC is still so desperately trying to hide. One doesn’t need to be a Marxist to follow this line of reasoning: class-based exclusion is closely tied to its cultural manifestation, what the anti-Marxist sociologist Pierre Bourdieu famously called symbolic violence. By this he referred to the patterns of speech, dress, consumption, etc., by which dominant groups express their cultural “superiority” over subordinate ones.

The psychological consequence of this symbolic violence is to produce a profound sense of social alienation within the individual — a sense that one has absolutely no stake in society’s dominant value system. This leads to a situation where the subversion of societal norms suddenly becomes a deceptively joyous act of “liberation”. Ironically, this process may have been further fueled by endless marketing campaigns promising “salvation through consumption“.

As Pitts puts it, this is a generation bred on a diet of excessive consumerism and bombarded by advertising. “Where we used to be defined by what we did, now we are defined by what we buy. These big stores are in the business of tempting [the consumer] and then suddenly these people find they can just walk into the shop and have it all.” As @DominicKavakeb tweeted, “if you keep telling people who can’t afford stuff to buy stuff, they might just end up taking stuff.”


A Regression — Not a Revolution

But that said, one thing needs to be made very clear: anyone who is still under the impression that this is a “protest” is gravely mistaken. This is not a revolution. If anything, it’s a major regression; a breakdown into mob rule. No one will benefit from this, except, perhaps, for the government itself. After all, the unfortunate fact that many of Britain’s poor tend to be ethnic minorities will allow Cameron to once again play the “death of multiculturalism” card.

Furthermore, as this brave West Indian woman pointed out, people don’t fight for a cause. The disturbances have long ceased to be protests against police brutality — they have descended into total chaos. In this environment, there is no hope of building a constructive movement for progressive social change. This was bound to happen, though. As a Greek friend predicted at Syntagma last month, “when the UK goes into revolt, it will be ugly.”

These riots are particularly ugly because the biggest victims so far have been the hard-working shop-keepers and average people who have become the innocent targets of indiscriminate aggression — the people who had to jump from their homes to escape the blaze, the people who lost their houses and their livelihoods through arson, theft and destruction. Why in heaven’s name would these angry youths target their own neighborhoods, instead of the rich ones?

While many people responded with shock and horror to a video displaying a bunch of thugs stealing from an injured man while pretending to assist him, psychologists have long had an explanation for this “inexplicable” behavior. As Wilkinson & Pickett write, ”when people react to a provocation from someone with higher status by redirecting their aggression onto someone of lower status, psychologists label it displaced aggression,” (The Spirit Level, p. 167).

The greatest tragedy is that this displaced aggression leaves the peaceful majority doubly affected: first by the economic exclusion and symbolic violence of the ruling social groups, and secondly by the displaced aggression of the disaffected youth in their own neighborhoods. And sadly, this pattern is likely to intensify over the coming years and decades, as financial collapse and fiscal austerity will combine to squeeze millions of Britons into poverty.

As the New York Times correctly pointed out, “for a society already under severe economic strain, the rioting raised new questions about the political sustainability of the Cameron government’s spending cuts, particularly the deep cutbacks in social programs.” After all, austerity measures “have hit the country’s poor especially hard, including large numbers of the minority youths who have been at the forefront of the unrest.”

In December 2010 we made a gloomy prediction for the new year: “The rage is spreading, and the legitimation crisis of global capitalism is only going to deepen in 2011 as austerity measures aggravate inequality, insecurity and unemployment. The question is not so much if there will be renewed violence, but where and when it will take place.” Austerity may not be the root cause of these riots — but it will be fuel on the fire of Britain’s ongoing social meltdown.

sábado, 6 de agosto de 2011

"Revolução e mulheres", de Maria Velho da Costa


Graças ao Miguel Cardoso, do sempre recomendável Unipoppers, revisitámos recentemente o texto "Revolução e mulheres", da autoria de Maria Velho da Costa e incluído no livro "Cravo" (Lisboa: Moraes, 1976; 2ª ed. D. Quixote, 1994).

Em jeito de agradecimento público a Maria Velho da Costa e ao Miguel Cardoso, à primeira pela autoria desta magnífica obra e ao segundo pela sua preciosa divulgação, reproduzimos aqui,  na sua versão integral, as 7 partes que constituem "Revolução e mulheres".

REVOLUÇÃO E MULHERES

1. RECONSTITUIÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO

Elas são quatro milhões, o dia nasce, elas acendem o lume. Elas cortam o pão e aquecem o café. Elas picam cebolas e descascam batatas. Elas migam sêmeas e restos de comida azeda. Elas chamam ainda escuro os homens e os animais e as crianças. Elas enchem lancheiras e tarros e pastas de escola com latas e buchas e fruta embrulhada num pano limpo. Elas lavam os lençóis e as camisas que hão-de suar-se outra vez. Elas esfregam o chão de joelhos com escova de piaçaba e sabão amarelo e correm com os insectos a que não venham adoecer os seus enquanto dormem. Elas brigam nos mercados e praças por mais barato. Elas contam centavos. Elas costuram e enfiam malhas em agulhas de pau com as lãs que hão-de manter no corpo o calor da comida que elas fazem. Elas vêm com um cântaro de água à cinta e um molho de gravetos na cabeça. Elas limpam as pias e as tinas e as coelheiras e os currais. Elas acendem o lume. Elas migam hortaliça. Elas desencardem o fundo dos tachos. Elas passajam meias e calças e camisas e outra vez meias. Elas areiam o fogão com palha de aço. Elas calcorreiam a cidade a pé e à chuva porque naquele bairro os macacos são caros. Elas correm esbaforidas para não perder o comboio, o barco. Elas pousam o cesto e abrem a porta com a mão vermelha. Elas põem a tranca no palheiro. Elas enterram o dedo mínimo na galinha a ver se tem ovo. Elas acendem o lume. Elas mexem o arroz com um garfo de zinco. Elas lambem a ponta do fio de linha para virar a camisa. Elas enchem os pratos. Elas pousam o alguidar na borda da pia para aguentar. Elas arredam a coberta da cama. Elas abrem-se para um homem cansado. Elas também dormem.


2. REPRODUÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO

Elas vão à parteira que lhes diz que já vai adiantado. Elas alargam o cós das saias. Elas choram a vomitar na pia. Elas limpam a pia. Elas talham cueiros. Elas passam fitilhos de seda no melhor babeiro. Elas andam descalças que os pés já não cabem no calçado. Elas urram. Elas untam o mamilo gretado com um dedal de manteiga. Elas cantam baixinho a meio da noite a niná -lo para que o homem não acorde. Elas raspam as fezes das fraldas com uma colher romba. Elas lavam. Elas carregam ao colo. Elas tiram o peito para fora debaixo de um sobreiro. Elas apuram o ouvido no escuro para ver se a gaiata na cama ao lado com os irmãos não dá por aquilo. Elas assoam. Elas lavam joelhos com água morna. Elas cortam calções e bibes de riscado. Elas mordem os beiços e torcem as mãos, a jorna perdida se o febrão não desce. Elas lavam os lençois com urina. Elas abrem a risca do cabelo, elas entrançam. Elas compram a lousa e o lápis e a pasta de cartão. Elas limpam rabos. Elas guardam uma madeixita entre dois trapos de gaze. Elas talham um vestido de fioco para uma boneca de papelão escondida debaixo da cama. Elas lavam as cuecas borradas do primeiro sémen, do primeiro salário, da recruta. Elas pedem fiado popeline da melhor para a camisa que hão-de levar para a França, para Lisboa. Elas vão à estação chorosas. Elas vêm trazer uin borrego à primeira barraca e ao primeiro neto. Elas poupam no eléctrico para um carrinho de corda.


3. PRODUÇÃO

Elas sobem para cima de um caixote, que ainda são pequenas para chegar à bancada de descarnar o peixe. Elas mondam, os dedos tolhidos de frieira e urtiga. Elas fazem descer a lâmina de cortar o coiro. Elas sopram nos dedos a aquecê-los, esfregam os olhos, voltam a pôr as mãos por detrás da lente a acertar os fios da matriz do transistor. Elas espremem as tetas da vaca para o balde apertado entre as pernas. Elas fecham num dia as pregas de papel de mil pacotes de bolacha. Elas acertam em duzentos casacos a postura da manga onde cravar o botão. Elas limpam o suor da testa com a manga e a foice rebrilha ao sol por cima da cabeça e da seara. Elas ouvem a matraca de dez teares enquanto a peça cresce diante, o fio amandado de braço a braço aberto. Elas cortam os dedos nas primeiras vinte cinco latas até calejar bem. Elas fazem a agulha passar para cá e lá em cruz na tela do tapete. Elas vigiam a última fieira de garrafas, caladas, à espera da sirene. Elas carregam o cesto de azeitona à cabeça já sem cantar, até que o sol se ponha.


4. SERVIÇOS

Elas carregam no botão da caixa e fazem quinhentos trocos miúdos. Elas metem a cavilha, dizem outro número e passam a vigésima chamada. Elas mexem panelões que lhes chegam à cinta. Elas descem doze caixotes de lixo já noite fechada. Elas fazem todas as camas e despejos de uma família alheia. Elas picam bilhetes metidas numa caixa de vidro. Elas batem à máquina palavras que não entendem. Elas arquivam por ordem alfabética duas mil fichas e vinte e cinco ofícios. Elas vão outra vez buscar a gaveta das luvas para o balcão a ver se há aquele verde. Elas aspiram do pó antes das nove doze assoalhadas, e cento e dez degraus de alcatifa. Elas entram na praça manhã cedo, já vindas do lota ajoujadas com o peixe para as bancadas. Elas acertam as bainhas de joelhos, a boca cheia de alfinetes. Elas põem trinta e duas arrastadeiras e tiram sessenta temperaturas. Elas pintam unhas de homem. Elas guardam sanitas e fazem renda em pequenos cubículos sem janela.


5. TRANSMISSÃO DE IDEOLOGIA

Coisas que elas dizem:

— Se mexes aí, corto-ta.

— Isso não são coisas de menina.

— O meu homem não quer.

— Estuda, que se tiveres um empregozinho sempre é uma ajuda.

— A mulher quer-se é em casa.

— Isto já vai do destino de cada um.

— Deus não quiz.

— Mas o senhor padre disse-me que assim não.

— Dá um beijinho à senhora que é tão boazinha para a gente.

— Você sabe que eu não sou dessas.

— Estás a dar cabo do teu futuro com uns e com outros.

— Deixa-te disso, o que é preciso é sossego e paz de espírito.

— Comprei uns jeans bestiais, pá.

— Sempre dá para uma televisão daquelas novas.

— Cada um no seu lugar.

— Julgas que ele depois casa contigo?

— Sempre há-de haver pobres e ricos.

— Se tu gostasses de mim não andavas com aquela cabra a gastar o nosso. — Põe o comer ao teu irmão que está a fazer os trabalhos.

— Sempre é homem.


6. PRODUÇÃO DE DESEJO

Elas olham para o espelho muito tempo. Elas choram. Elas suspiram por um rapaz aloirado, por duas travessas para o cabelo cravejadas de pedrinhas, um anel com pérola. Elam limpam com algodão húmido as dobras da vagina da menina pensando, coitadinha. Elas escondem os panos sujos de sangue carregadas de uma grande tristeza sem razão. Elas sonham três noites a fio com um homem que só viram de relance à porta do café. Elas trazem no saco das compras uma pequena caixa de plástico que serve para pintar a borda dos olhos de azul. Elas inventam histórias de comadres como quem aventura. Elas compram às escondidas cadernos de romances em fotografias. Elas namoram muito. Elas namoram pouco. Elas não dormem a pensar em pequenas cortinas com folhos. Elas arrancam os primeiros cabelos brancos com uma pinça comprada na drogaria. Elas gritam a despropósito e agarram-se aos filhos acabados de sovar. Elas andam na vida sem a mãe saber, por mais três vestidos e um par de botas. Elas pagam a letra da moto ao que lhes bate. Elas não falam dessas coisas. Elas chamam de noite nomes que não vêm. Elas ficam absortas com a mola da roupa entre os dentes a olhar o gato sentado no telhado entre as sardinheiras. Elas queriam outra coisa.


7. REVOLUÇÃO

Elas fizeram greves de braços caídos. Elas brigaram em casa para ir ao sindicato e à junta. Elas gritaram à vizinha que era fascista. Elas souberam dizer salário igual e creches e cantinas. Elas vieram para a rua de encarnado. Eles foram pedir para ali uma estrada de alcatrão e canos de água. Elas gritaram muito. Elas encheram as ruas de cravos. Elas disseram à mãe e à sogra que isso era dantes. Elas trouxeram alento e sopa aos quartéis e à rua. Elas foram para as portas de armas com os filhos ao colo. Elas ouviram faltar de uma grande mudança que ia entrar pelas casas. Elas choraram no cais agarradas aos filhos que vinham da guerra. Elas choraram de ver o pai a guerrear com o filho. Elas tiveram medo e foram e não foram. Elas aprenderam a mexer nos livros de contas e nas alfaias das herdades abandonadas. Elas dobraram em quatro um papel que levava dentro urna cruzinha laboriosa. Elas sentaram-se a falar à roda de uma mesa a ver como podia ser sem os patrões. Elas levantaram o braço nas grandes assembleias. Elas costuraram bandeiras e bordaram a fio amarelo pequenas foices e martelos. Elas disseram à mãe, segure-me aqui os cachopos, senhora, que a gente vai de camioneta a Lisboa dizer-lhes como é. Elas vieram dos arrebaldes com o fogão à cabeça ocupar uma parte de casa fechada. Elas estenderam roupa a cantar, com as armas que temos na mão. Elas diziam tu às pessoas com estudos e aos outros homens. Elas iam e não sabiam para aonde, mas que iam. Elas acendem o lume. Elas cortam o pão e aquecem o café esfriado. São elas que acordam pela manhã as bestas, os homens e as crianças adormecidas.


Dezembro 1975

Maria Velho da Costa, Cravo, Lisboa, Moraes Editores, 1976.

Hiroshima - 06 de Agosto de 1945

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El pueblo unido jamás será vencido!

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Aos indignados de Madrid, que ontem voltaram a ocupar a Puerta del Sol, e aos estudantes chilenos que lutam nas ruas de Santiago por uma escola pública de qualidade:



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Lido por aí... # 20

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"O Tea Party português", artigo de opinião de José Manuel Pureza, publicado ontem no Diário de Notícias:

O debate ocorrido nos Estados Unidos a propósito do limite do endividamento foi claro: cortar em despesa social para "emagrecer o monstro" Estado, posição defendida pelos que diminuíram como nunca os encargos fiscais dos ricos e deixaram o Estado sem capacidade de atender a necessidades sociais básicas, ou reforçar a justiça fiscal para reforçar a justiça social. Obama cedeu em toda a linha e ficou refém dos fundamentalismos anti-Estado do Tea Party.

Há um Tea Party português. Não, não é um bando de extremistas redentoristas que defendem o excepcionalismo português como os seus congéneres nos Estados Unidos. O que os une ao lado de lá do Atlântico é a mesma visão do Estado como monstro que engorda sem cessar e face ao qual a única tarefa nobre é emagrecê-lo até ficar esquálido. Tudo o resto é para eles socialismo. O Governo é hoje o nosso Tea Party. Zerar o Estado - para usar o gostoso brasileirismo de pôr a zeros - é o seu dogma (salvo, registe-se, na composição dos gabinetes ministeriais e nas comissões de avaliação das finanças públicas e... bom, mas isso são detalhes).

Álvaro Santos Pereira ilustrou bem a obsessão ideológica dos nossos zeristas ao anunciar o fim do passe social. O défice das empresas de transportes públicos e a injustiça do passe social foram os argumentos de serviço para justificar a adopção de um aumento sem precedentes no preço pago pelos passageiros e da substituição do passe social por uma tarifa social para indigentes ("mais carenciados", na linguagem eufemística do Governo), acompanhada pelo pagamento de todos os demais em função dos respectivos rendimentos familiares. É uma obsessão ideológica evidente: porque nem esta política vai reduzir significativa e duradouramente o défice do sector (o que imporia ganhos de modernização e de melhoria da gestão que nem sequer são equacionados), nem ela obrigará os mais ricos a pagar mais (os mais ricos pura e simplesmente não usam transportes colectivos, pelo que só pagarão mais - muito mais - os que se situam no escalão imediatamente acima do salário mínimo). Entre a penalização de quem ganha 500 ou 600 euros e um contributo acrescido de quem ganha muitos milhares, o Governo, como o Tea Party, escolhe a primeira. Tudo ideologia em estado puro.

Na saúde como nos transportes, na luz, na água ou no gás, é claro que nem sempre menos com mais dá mais: menos famílias com mais custos dá claramente menos. Menos bem público, menos qualidade de serviço público, menos direito efectivo de todos. Seguramente mais condições para posterior privatização.

Como o do Tea Party nos Estados Unidos, o horizonte dos nossos zeristas é o da transferência da função social dos impostos para os encargos das famílias. Na boa lógica de Lavoisier, os encargos que o Estado deixa de ter no financiamento dos transportes não se evaporam, são transformados em custos para as famílias. A nossa direita, piedosa e cheia de zelos para com os pobres, clama que isto, sim, é verdadeira justiça social. À velha maneira, o tratamento dos pobres passa a ser feito numa lógica de sobrevivência e sob vigilância apertada e não numa lógica de redistribuição devida pelo reconhecimento de direitos. Os estudos mais rigorosos são claros: a pobreza em Portugal é resultado dos baixos salários. Por isso, a justiça social, tão cara ao discurso dos zeristas portugueses, é o avesso do que eles defendem: a definição de uma reserva de serviços públicos de segunda para os mais pobres dos pobres, completada pela distribuição de sobras (dos restaurantes, das farmácias, etc.) para lhes garantir a sobrevivência. Mas mantendo-os pobres.


O livro de cabeceira de Pedro Mota Soares (qualquer semelhança entre o Programa de Emergência Social do governo e o texto abaixo transcrito não é mera coincidência)

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Os pobrezinhos

- Batem à porta. Meu filho, vai ver quem é.

- É um pobre, minha mãe, um pobrezinho a pedir esmola.

A mãe veio logo com um prato de sopa e deu-o ao pobre. Depois, voltou para a sala de costura e deixou o filho a fazer companhia ao mendigo. Este, quando acabou de comer, disse por despedida:

- Deus faça bem a quem bem faz!

O menino ficou comovido: - Que pena tive do pobrezinho!

- E é caso para isso, respondeu a mãe. Os pobres são nossos irmãos. Devemos fazer-lhes todo o bem que pudermos. Jesus ensinou que até um copo de água, dado aos pobres por caridade, terá grande prémio no céu.
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"Côdea, sim. Pois bem, mas onde é que ficou a carcaça toda?"

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Mas o que é que o Programa de Emergência Social tem para nos oferecer? Remendos e côdeas!



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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O nosso agradecimento à mensagem que Cavaco Silva colocou hoje na sua página do Facebook

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O presidente da Aldeia da Coelha resolveu deixar hoje esta mensagem na sua página do Facebook:


Como somos pessoas bem educadas, não poderíamos deixar de retribuir e agradecer o gesto:




Petição: Solidariedade com a Noruega








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A petição será posteriormente dada a conhecer a várias organizações e movimentos sociais noruegueses, podendo ser assinada AQUI. Agradecemos a sua divulgação.


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