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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O broche chinês


Porque será que depois de sabermos que a China irá reforçar o apoio financeiro a Portugal e perante o estado exultante de Teixeira dos Santos - "Saio daqui satisfeito (...) A China mostrou-nos claramente que acredita em Portugal" - apenas nos conseguimos recordar do broche chinês de João César Monteiro?

sábado, 6 de novembro de 2010

Que se lixem os direitos humanos, o que importa são os negócios


Que a República Popular da China não respeite os direitos humanos é coisa que não interessa nada à corte lusitana que por estes dias se perfilará para o beija-mão a Hu Jintao.

A visita de dois dias do presidente da República Popular da China é apenas uma oportunidade para fazer negócios, bons negócios de "elevado interesse nacional". De Cavaco Silva a José Sócrates, dos banqueiros aos empresários, todos estão interessados nos abundantes capitais chineses.

Fala-se da possibilidade da compra de dívida soberana portuguesa pela China, da aquisição de parte de um banco, do reforço da balança comercial entre os dois países, fala-se de dinheiro, de muito dinheiro... E no meio de tudo isto, a questão dos direitos humanos nem terá direito a uma breve nota de rodapé...

O silêncio dos governantes portugueses, tal como o dos seus congéneres da UE (do mundo?), é comprado nestas visitas de estado - uma ditadura é uma ditadura, mas uma ditadura com dinheiro é uma quase democracia...

Nestes dias de vergonhoso beija-mão, resta-nos saudar a posição do Bloco de Esquerda, que sustenta desta forma a sua ausência da cerimónia agendada para o parlamento: "Somos muito críticos em relação ao regime chinês. Seria muito hipócrita estarmos a aplaudir ou a participar em banquetes com o representante de um regime político que despreza o direito de greve, o direito de opinião e de liberdade de imprensa".

O dinheiro compra muitas consciências, mas nunca conseguirá comprá-las todas...



sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Quebrar silêncios – o Nobel da Paz de Liu Xiaobo



Há alguns anos atrás, antes da China se tornar uma potência económica, multiplicavam-se as vozes que denunciavam as repetidas violações dos direitos humanos naquele país.
Em 1989, o massacre cometido pelas autoridades chinesas contra os manifestantes da Praça Tiananmen provocou um coro internacional de protesto e indignação, unindo governos, organizações de direitos humanos e cidadãos anónimos de diversos quadrantes políticos.

Hoje em dia, tal como ficou demonstrado durante a realização dos Jogos Olímpicos, a generalidade das instituições e governos internacionais pactua silenciosamente com o regime chinês, sobrepondo os interesses económicos aos direitos humanos.
Este silêncio conivente, incompreensivelmente partilhado por alguma esquerda, apenas tem sido pontualmente quebrado por organizações de direitos humanos e por alguns activistas que, dentro e fora das fronteiras chinesas, se continuam a bater pela implementação de reformas democráticas no país.

É neste contexto que a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Liu Xiaobo adquire um significado simbólico particularmente importante.
Activista desde os protestos de Tiananmen, actualmente a cumprir uma nova pena de prisão, Liu Xiaobo é um dos principais protagonistas da luta pela introdução de reformas políticas, judiciais e sociais na China e um justo laureado com o Nobel da Paz.

Embora não acreditemos que o Nobel atribuído a Liu Xiaobo venha por si só provocar alterações no regime chinês, estamos convictos de que pelo menos servirá para reabrir o debate, a nível internacional, em torno da violação dos direitos humanos naquele país.
As autoridades chinesas poderão prosseguir com as prisões arbitrárias dos opositores ao regime, mas não conseguirão evitar o incómodo interno e externo que este Nobel lhes irá trazer, da mesma forma que não conseguirão silenciar todos aqueles que continuam a colocar a defesa intransigente dos direitos humanos à frente dos interesses económicos.
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