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sábado, 28 de abril de 2012

Donos de Portugal (versão integral)


Depois da estreia televisiva na RTP 2, relegada para a madrugada de 25 de Abril, o documentário Donos de Portugal já atingiu mais de 40 mil visualizações na internet.

Para além de deixarmos aqui a versão integral do documentário de Jorge Costa, sugerimos também a assinatura desta petição, que tem como objectivo exigir uma nova transmissão televisiva de Donos de Portugal, desta vez em horário nobre.





sexta-feira, 13 de abril de 2012

Donos de Portugal, um documentário de Jorge Costa





Donos de Portugal é um documentário de Jorge Costa sobre cem anos de poder económico. O filme retrata a protecção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza. 

Mello, Champalimaud, Espírito Santo  - as grandes famílias cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos  - Amorim, Sonae, Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base.


No momento em que a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui.

Baseado no livro homónimo de que Jorge Costa é co-autor, Donos de Portugal foi produzido para a RTP 2 no âmbito do Instituto de História Contemporânea.

Estreia na RTP 2, na noite de 24 para 25 de Abril, à 1h30.

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Recordar para nunca esquecer # 2 (Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto)

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Se tivesse comido logo que chegou do campo, o estômago ter-se-ia rasgado por causa do peso dos alimentos, ou então esse peso encostar-se-ia ao coração que, pelo contrário, na caverna da magreza, se tinha tornado enorme: batia tão depressa que não era possível contar as pulsações, não era possível dizer que batia, propriamente, mas tremia, como se estivesse sob o efeito do terror. Não, não podia comer sem morrer. Mas não podia ficar mais tempo sem comer sem que morresse. A dificuldade era essa.
[...]
Papas, disse o médico, à colher de café. Dávamos-lhe papas seis ou sete vezes por dia. Uma colher de café de papa sufocava-o, agarrava-se às nossas mãos, procurava o ar e voltava a cair na cama. Mas engolia. E assim, seis ou sete dias pedia para fazer. Levantávamo-lo pegando-lhe por baixo dos joelhos e dos braços. Devia pesar entre trinta e sete e trinta e oito quilos: o osso, a pele, o fígado, os intestinos, o cérebro, o pulmão, tudo incluído: trinta e oito quilos repartidos por um corpo de um metro e setenta e oito. Pousávamo-lo no bacio, púnhamos uma pequena almofada no rebordo: no sítio onde as articulações se moviam mesmo por baixo da pele, a pele estava em carne viva. [...] Quando se sentava no bacio fazia tudo de uma só vez, num glu-glu enorme, inesperado, desmesurado. Aquilo que o coração retinha, o ânus não podia reter, largava o conteúdo. Tudo, ou quase, largava o conteúdo, até os dedos que já não retinham as unhas, também as largavam. [...]
Durante dezassete dias, o aspecto daquela merda foi sempre o mesmo. Era desumana. Separava-o de nós mais do que a febre, do que a magreza, do que os dedos sem unhas, do que as marcas da pancada dos S.S. Dávamos-lhe papa amarela, dourada, papa para bebé e depois saía dele verde escuro como se fosse lodo de um pântano. Depois de taparmos o bacio ouvíamos as bolhas quando rebentavam à superfície. Podia fazer lembrar - viscosa e peganhenta - um escarro grande. Logo que saía, o quarto enchia-se de um cheiro que não era o da putrefacção, o do cadáver - se é que ainda havia no corpo dele matéria para cadáver -, era mais o de um húmus vegetal, o cheiro das folhas mortas, o da vegetação rasteira e espessa, nos bosques. Era de facto um cheiro sombrio, espesso como o reflexo dessa noite espessa da qual ele emergia e que nós não conheceríamos nunca. (Eu encostava-me às persianas, a rua debaixo dos meus olhos passava, e como eles não sabiam o que acontecia no quarto, apetecia-me dizer-lhes que naquele quarto por cima deles, um homem tinha voltado dos campos alemães, vivo.)

Marguerite Duras - "A Dor" (excerto)

(Tradução: Tereza Coelho)

sábado, 13 de agosto de 2011

Derrubemos todos os muros





Há exactamente 50 anos, a 13 de Agosto de 1961, iniciava-se a construção do muro de Berlim.

Hoje, meio século volvido sobre esta data, muitos outros muros continuam por derrubar. Este é apenas um deles:





segunda-feira, 18 de abril de 2011

"48", um filme de Susana de Sousa Dias

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Após uma primeira apresentação no DocLisboa 2009 e de algumas projecções esporádicas, "48" chega finalmente às salas de cinema nacionais.

O filme de Susana de Sousa Dias, vencedor de vários prémios em festivais internacionais, tem estreia agendada para a próxima quinta-feira em Lisboa, Porto, Coimbra, Leiria e Almada.



sábado, 29 de janeiro de 2011

Cinematógrafo do Reviralhos # 6


Libertarias - Libertárias (1996)





Título: Libertarias - Libertárias (1996)

Realização: Vicente Aranda

Argumento: Vicente Aranda, José Luis Guarner e Antonio Rabinad

Intérpretes: Ana Belén, Victoria Abril, Ariadna Gil...

Música: José Nieto

Duração: 122 minutos



quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Recordar para nunca esquecer

No aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, data simbolicamente escolhida pelas Nações Unidas para assinalar o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, homenageamos todas as vítimas da barbárie nazi.
 
Para que a memória não se apague (nem a história se repita, como hoje alertou Zoni Weisz), recordamos algumas das imagens captadas durante a libertação dos campos de concentração de Buchenwald e Dachau.
 




segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Memórias da democracia cavaquista # 2


Chama-se Gilberto Raimundo, tem 21 anos, e foi ontem, à frente da Assembleia da República brutalmente espancado por um polícia. Um rosto, a sangrar, entre outros. Milhares de estudantes protestavam contra as propinas. A polícia investiu e nem o Major Tomé foi poupado.
Atacaram pelas costas e foi isso que mais chocou os estudantes. Os traseuntes, também, que, estando ali por acaso foram alvo da bordoada. Um idoso foi espancado. Estava ao pé da paragem 100.
Cadi Fernandes, Diário de Notícias, 25 de Novembro de 1993

 
Memória de uma das várias cargas policiais ordenadas por Dias Loureiro, então Ministro da Administração Interna, durante os governos de Cavaco Silva...
 
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

As mulheres, segundo Salazar e Cavaco (só o tempo os separa...)


Um mero exercício de memória histórica, em que apelamos à descoberta das eventuais diferenças entre um discurso de Salazar, proferido em 1933, e uma mensagem televisiva de Cavaco Silva, em 2010.


O trabalho da mulher fora do lar desagrega este, separa os membros da família, torna-os um pouco estranhos uns aos outros. Desaparece a vida em comum, sofre a obra educativa das crianças, diminui o número destas; e com o mau ou impossível funcionamento da economia doméstica, no arranjo da casa, no preparo da alimentação e do vestuário, verifica-se uma perda importante, raro materialmente compensada pelo salário percebido.
[...] defendemos que o trabalho da mulher casada e geralmente até o da mulher solteira, integrada na família e sem a responsabilidade da mesma, não deve ser fomentado; nunca houve nenhuma boa dona de casa que não tivesse imenso que fazer.
(António de Oliveira Salazar, Março de 1933)





(Aníbal Cavaco Silva, Dezembro de 2010)


Descobriram as diferenças? Nós também não...


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