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sábado, 1 de setembro de 2012

Para onde caminha a Europa? # 4


 
“Depois dos imigrantes, serão os próximos.” Era esta a mensagem escrita nos folhetos que apareceram esta semana num bairro onde se situam vários clubes homossexuais em Atenas. À medida que a violência contra os imigrantes e minorias étnicas aumenta por toda a Grécia, os apoiantes do partido de extrema-direita Aurora Dourada também começaram a promover ataques racistas contra os homossexuais e pessoas com deficiências.
 
Estes fascistas desfilam por Atenas com camisolas pretas e tochas, aterrorizando as minorias étnicas e sexuais, ostentando uma insígnia semelhante a uma suástica decomposta e declarando o seu desprezo pelo processo político. Ainda assim, na Europa, continuam a ser tratados como um mero sintoma da crise económica na Grécia.
 
Antigamente, os delinquentes de extrema-direita atacavam os imigrantes durante a noite. Agora também o fazem durante o dia, sem temer qualquer consequência, dado que estas raramente existem. Nas últimas semanas, o número e a severidade dos ataques aumentou, e se os imigrantes apresentam queixa à polícia, arriscam a ser detidos.
 
Não só os crimes contra os imigrantes são considerados pouco prioritários na Grécia, como grande parte da base de apoio do partido Aurora Dourada provém das forças policiais. As sondagens das eleições de maio de 2012 indicavam que em alguns bairros urbanos 50 por cento da polícia grega votou a favor do grupo racista, que possui agora 7 por cento dos lugares no Parlamento.

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Ignorar esta situação, por si só, já é mau. Mas agora, o ministro da Ordem Pública, Nikos Dendias, comprometeu-se a pôr termo à imigração, que o próprio descreveu como sendo uma “invasão” e “uma bomba nos alicerces da sociedade”. E de facto, Dendias também descreveu a presença de estrangeiros na Grécia como uma ameaça mais significante do que a crise económica – uma mensagem que não hesitaria em colocar nas paredes de Atenas se pudesse. O estímulo do racismo tornou-se uma estratégia para desviar a atenção, de uma nação irritada, da crise que envolve o Governo e as despesas públicas. Tal como muitos executivos de centro-direita em declínio, a coligação Nova Democracia está a reproduzir os discursos dos extremistas de direita, juntando-se a eles, em vez de tentar acalmar a xenofobia pública. Com o apoio de Dendias, a polícia está a perseguir os imigrantes, detendo e deportando milhares em operações realizadas em Atenas e nas cidades vizinhas – um programa denominado, alegadamente sem qualquer ironia, Zeus Xenios, o Deus grego da hospitalidade.
 
[...]
 
 
 
Nota: a tradução integral do artigo  publicado no The Independent  pode ser lida no site de notícias Presseurop.
 
 

domingo, 29 de julho de 2012

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A cantiga é uma arma (contra a homofobia) # 10


Através de um post do Paulo Jorge Vieira, publicado no Cinco Dias, chegámos a este dejecto homofóbico assinado pelo director do jornal Sol.

Ao sempre execrável José António Saraiva, para não nos excedermos nas palavras e não cedermos à tentação do mais que merecido insulto, limitamo-nos a endossar esta música dos Clã (incluída no excelente "Disco Voador"):




Clã - "Arco-íris"
(Letra: Regina Guimarães / Música: Hélder Gonçalves)

há meninas em rebanho
e há bandos de rapazes
elas são sossegadinhas
eles devem ser audazes


dizes tu que não condizem
cor de rosa e azul celeste
cada sexo em seu lugar
foi assim que me fizeste


mas então por que razão
ainda vês com maus olhos
o homem que ama outro homem
a mulher que ama a mulher
se os separas à nascença
e fazes tanta questão
de manter a diferença
entre a irmã e o irmão


viva a maria rapaz
e o rapaz que não é peste
viva a roupa que baralha
o sexo de quem a veste


viva todo o arco-íris
e a cor que se mistura
sete quintas, meias tintas,
viva a fúria e a doçura


não me voltes a dizer
que as crianças a crescer
precisam de copiar
o papá e a mamã
deixa ser eu a escolher
por quem me perco e me dano
porque eu amo a minha irmã
e amo também o meu mano…


será que nunca sentiste
que somos pó de universo
sujeitos à atracção
do que é igual e diverso


e será que não gravitas
à volta de quem te ama?
use vestido ou gravata
borboleta busca chama…


amar sem olhar a quem
nem ao sexo nem à cor
não é vício nem pecado
não é mal nem mau olhado
amar sem medo ou vergonha
amar a torto e a direito
amar sem manha nem ronha
não é tara nem defeito


amar sem olhar a quem
não é tara nem defeito
amar sem olhar a quem
amar a torto e a direito



(Adenda: depois de lermos esta notícia, o post passa também a ter como destinatária a Companhia de Seguros Tranquilidade)
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sábado, 14 de maio de 2011

A mobilização vale sempre a pena

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Graças à condenação internacional e aos milhões de signatários das diversas petições internacionais lançadas nos últimos dias, a "Carta Anti-Homossexualidade" acabou por não ser votada no parlamento do Uganda.

Apesar da mobilização global ter mais uma vez demonstrado que é possível fazer frente ao ódio e à homofobia, em prol dos direitos humanos, os promotores do projecto-lei ainda não desistiram da sua discussão/aprovação no parlamento ugandês.

Assim, voltamos a apelar ao envolvimento de todos, através da assinatura das petições da Avaaz (que conta já com mais de um milhão e meio de assinaturas) ou da All Out (que já ultrapassou o meio milhão de subscritores).
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