O Sr.
Silva Pereira revelou que as negociações mantidas entre o Sr. Sócrates e o Sr. Passos Coelho, que garantiriam a aprovação do Orçamento de Estado, haviam falhado.
O Sr.
Passos Coelho, que sempre garantiu não existirem encontros secretos com o Sr. Sócrates, fica furioso e jura a pés juntos que não aprovará um novo aumento de impostos e, consequentemente, o Orçamento.
O Sr. Sócrates diz que o Sr. Silva Pereira apenas revelou publicamente o que havia sido previamente acordado como Sr. Passos Coelho.
O Sr.
Sócrates revela que o Governo poderá demitir-se se o Sr. Passos Coelho não viabilizar o Orçamento.
O Sr. Soares, essa espécie de auto-coroado rei da democracia portuguesa e personagem secundária nesta intriga, apela a que o Sr. Sócrates e o Sr. Passos Coelho cheguem a um entendimento.
O Sr. João Jardim e o Sr.
Santana Lopes, os habituais bobos de serviço, fazem declarações bombásticas a quem ninguém dá grande importância.
O Sr.
Passos Coelho diz que nunca mais falará a sós com o Sr. Sócrates.
O Sr.
Sócrates diz que as declarações do Sr. Passos Coelho são inadmissíveis e, por sua vez, o Sr. Passos Coelho diz que as declarações do Sr. Sócrates são inadmissíveis.
O Sr.
Cavaco Silva, em mais uma acção de campanha eleitoral, convoca todos os partidos para discutir o problema criado pelo Sr. Sócrates e pelo Sr. Passos Coelho.
O Sr. Medina Carreira grita, em repeat, que “Portugal vai bater na parede” e chama mentirosos ao Sr. Sócrates e ao Sr. Passos Coelho.
O Sr.
Rebelo de Sousa, que tem sempre opinião sobre tudo e sobre todos mas que nunca fundamenta verdadeiramente nada, apela a que o Sr. Sócrates e o Sr. Passos Coelho cheguem a um entendimento.
Os mais reputados economistas e comentadores, alguns dos quais também peritos em comentário desportivo, garantem que o
FMI está quase a aterrar no Figo Maduro e pedem um entendimento urgente entre o Sr. Sócrates e o Sr. Passos Coelho.
… Enquanto o Sr. Cavaco Silva, o Sr. Sócrates e o Sr. Passos Coelho alinham os detalhes para os próximos episódios, o pessoal, que já vê enredos de má qualidade há muito tempo e já está habituado a péssimos actores, percebe que o Orçamento irá mesmo ser aprovado, que a sua vida estará cada vez mais lixada e que tudo isto não passa de uma encenação de muito má qualidade.