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sábado, 22 de outubro de 2011

Não cheira a cravo, cheira a Crato

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O vergonhoso comunicado de imprensa, divulgado ontem pelo Ministério da Educação e Ciência, revela bem o que podemos esperar do Governo de Passos Coelho e Paulo Portas.
A ameaça de uma "democracia musculada" está aí, plasmada em tom intimidatório no texto do Ministério tutelado por Nuno Crato.
Quem protesta infringe. Quem reivindica será punido. Estas são as promessas deste Governo:







Se dúvidas existissem, o comunicado acima transcrito confirma-o: o perfume dos cravos desapareceu, restando apenas o cheiro putrefacto desta direita pseudo-democrata que nos arrastará para o abismo económico e social.
Agora somos nós ou eles. Resistimos ou desistimos. A escolha é nossa...



sábado, 6 de agosto de 2011

Lido por aí... # 20

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"O Tea Party português", artigo de opinião de José Manuel Pureza, publicado ontem no Diário de Notícias:

O debate ocorrido nos Estados Unidos a propósito do limite do endividamento foi claro: cortar em despesa social para "emagrecer o monstro" Estado, posição defendida pelos que diminuíram como nunca os encargos fiscais dos ricos e deixaram o Estado sem capacidade de atender a necessidades sociais básicas, ou reforçar a justiça fiscal para reforçar a justiça social. Obama cedeu em toda a linha e ficou refém dos fundamentalismos anti-Estado do Tea Party.

Há um Tea Party português. Não, não é um bando de extremistas redentoristas que defendem o excepcionalismo português como os seus congéneres nos Estados Unidos. O que os une ao lado de lá do Atlântico é a mesma visão do Estado como monstro que engorda sem cessar e face ao qual a única tarefa nobre é emagrecê-lo até ficar esquálido. Tudo o resto é para eles socialismo. O Governo é hoje o nosso Tea Party. Zerar o Estado - para usar o gostoso brasileirismo de pôr a zeros - é o seu dogma (salvo, registe-se, na composição dos gabinetes ministeriais e nas comissões de avaliação das finanças públicas e... bom, mas isso são detalhes).

Álvaro Santos Pereira ilustrou bem a obsessão ideológica dos nossos zeristas ao anunciar o fim do passe social. O défice das empresas de transportes públicos e a injustiça do passe social foram os argumentos de serviço para justificar a adopção de um aumento sem precedentes no preço pago pelos passageiros e da substituição do passe social por uma tarifa social para indigentes ("mais carenciados", na linguagem eufemística do Governo), acompanhada pelo pagamento de todos os demais em função dos respectivos rendimentos familiares. É uma obsessão ideológica evidente: porque nem esta política vai reduzir significativa e duradouramente o défice do sector (o que imporia ganhos de modernização e de melhoria da gestão que nem sequer são equacionados), nem ela obrigará os mais ricos a pagar mais (os mais ricos pura e simplesmente não usam transportes colectivos, pelo que só pagarão mais - muito mais - os que se situam no escalão imediatamente acima do salário mínimo). Entre a penalização de quem ganha 500 ou 600 euros e um contributo acrescido de quem ganha muitos milhares, o Governo, como o Tea Party, escolhe a primeira. Tudo ideologia em estado puro.

Na saúde como nos transportes, na luz, na água ou no gás, é claro que nem sempre menos com mais dá mais: menos famílias com mais custos dá claramente menos. Menos bem público, menos qualidade de serviço público, menos direito efectivo de todos. Seguramente mais condições para posterior privatização.

Como o do Tea Party nos Estados Unidos, o horizonte dos nossos zeristas é o da transferência da função social dos impostos para os encargos das famílias. Na boa lógica de Lavoisier, os encargos que o Estado deixa de ter no financiamento dos transportes não se evaporam, são transformados em custos para as famílias. A nossa direita, piedosa e cheia de zelos para com os pobres, clama que isto, sim, é verdadeira justiça social. À velha maneira, o tratamento dos pobres passa a ser feito numa lógica de sobrevivência e sob vigilância apertada e não numa lógica de redistribuição devida pelo reconhecimento de direitos. Os estudos mais rigorosos são claros: a pobreza em Portugal é resultado dos baixos salários. Por isso, a justiça social, tão cara ao discurso dos zeristas portugueses, é o avesso do que eles defendem: a definição de uma reserva de serviços públicos de segunda para os mais pobres dos pobres, completada pela distribuição de sobras (dos restaurantes, das farmácias, etc.) para lhes garantir a sobrevivência. Mas mantendo-os pobres.


O livro de cabeceira de Pedro Mota Soares (qualquer semelhança entre o Programa de Emergência Social do governo e o texto abaixo transcrito não é mera coincidência)

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Os pobrezinhos

- Batem à porta. Meu filho, vai ver quem é.

- É um pobre, minha mãe, um pobrezinho a pedir esmola.

A mãe veio logo com um prato de sopa e deu-o ao pobre. Depois, voltou para a sala de costura e deixou o filho a fazer companhia ao mendigo. Este, quando acabou de comer, disse por despedida:

- Deus faça bem a quem bem faz!

O menino ficou comovido: - Que pena tive do pobrezinho!

- E é caso para isso, respondeu a mãe. Os pobres são nossos irmãos. Devemos fazer-lhes todo o bem que pudermos. Jesus ensinou que até um copo de água, dado aos pobres por caridade, terá grande prémio no céu.
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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

E se não é um problema de racismo, é um problema de quê?



Passos Coelho afirma-se convicto de que a expulsão de ciganos de França “não se trata de um problema de racismo” e espera “que ele nunca seja encarado como tal”.

Já havíamos percebido que o líder do PSD é um impreparado político, o que ainda não sabíamos é que a sua imbecilidade poderia raiar o absurdo.

O que o líder do PSD desconhece, ou omite voluntariamente, é a existência de uma circular que refuta completamente as suas afirmações e que demonstra que esta é, e sempre será, exactamente uma questão de racismo e xenofobia.





Hoje tornou-se ainda mais claro onde se posiciona Passos Coelho. Quem profere estas afirmações toma claramente partido por Sarkozy e pelos seus aliados da extrema-direita.  Quem hoje está com Sarkozy, ontem estaria com Pétain...


(mais informações no site do Le Monde)


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Tridente & Arpão - A arte de afundar mil milhões de euros



O primeiro dos dois submarinos encomendados pelo Estado à companhia alemã Ferrostal, o Tridente, foi hoje entregue à armada portuguesa. O segundo, o Arpão, será entregue no final do ano ou no início de 2011.


Da próxima vez que ouvirem o líder do CDS a debitar uma das suas propostas populistas de combate aos “preguiçosos” que vivem à custa do Rendimento Social de Inserção e do Subsídio de Desemprego, recordem-se que as duas inutilidades submersíveis, adquiridas por Paulo Portas, custarão “apenas” mil milhões de euros, 0,6% do PIB, e contribuirão para o agravamento do défice dos próximos anos…

domingo, 1 de agosto de 2010

A Europa que queremos não é a de Sarkozy




Depois da perseguição aos ciganos, Sarkozy avançou esta semana com a proposta de retirar a nacionalidade francesa aos estrangeiros que atentem contra as autoridades públicas. Fazendo eco da agenda da extrema-direita, o presidente francês propõe ainda que seja recusada a nacionalidade automática, quando atingirem a maioridade, aos menores que cometam algum delito.
No mesmo discurso em que apresentou as novas medidas de combate à criminalidade, Sarkozy defendeu que cada um deve ser “digno” para ter direito à nacionalidade francesa.

Certamente que Sarkozy, ele próprio filho de imigrantes, se julga mais “digno” de ostentar a nacionalidade francesa do que as mulheres que a polícia agrediu num subúrbio de Paris, no passado dia 21 de Julho.
As mulheres, de origem africana mas maioritariamente de nacionalidade francesa, estavam a viver em tendas e protestavam pacificamente pelo direito a uma habitação permanente para as suas famílias, após terem sido desalojadas das habitações que ocupavam.
O vídeo da intervenção policial, filmado por um elemento da associação Droit au Logement (DAL) e divulgado pela CNN, revela não só a brutalidade da intervenção policial mas também no que consiste o combate à criminalidade defendido por Sarkozy.

A associação entre imigração e criminalidade é uma velha prática da direita e da extrema-direita. A actual crise económica e social serve-lhes de ignição ao discurso xenófobo e à imposição de modelos securitários, onde em nome da segurança se atropelam os direitos dos cidadãos.
A história do século XX demonstrou-nos ao que conduz um estado policial e totalitário. Compete-nos a nós, homens e mulheres de esquerda, denunciar e combater estes novos eugenismos sociais que despontam na Europa.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Importam-se de repetir?



Em apenas dois dias tivemos a oportunidade de ver o PS repetir, até à exaustão, que é de esquerda (uma técnica de auto-convencimento especialmente concebida para as jornadas parlamentares do partido?) e Passos Coelho a afirmar que "não existe uma tendência neoliberal no PSD"...

Será o início da silly season no Bloco Central ou simples efeitos das temperaturas elevadas?

terça-feira, 15 de junho de 2010

Um país à jorna



Alargar para três e quatro anos o prazo dos contratos a prazo, quando hoje vão de 18 meses a dois anos, e permitir renovações ilimitadas destes é um dos pilares centrais da proposta de legislação laboral especial, a vigorar durante a aplicação do Programa de Estabilidade e Crescimento (até final de 2013), que o PSD vai apresentar no Parlamento.

O PSD, aliado às confederações patronais, prepara-se para fazer o óbvio: acrescentar precariedade à precariedade.
 
A pretexto da crise que os próprios criaram, o patronato e a direita afiam as facas, ensaiando as medidas legislativas que há muito anseiam - a precarização absoluta dos vínculos laborais e a diminuição efectiva e duradoura dos salários.
 
O sonho húmido desta gente é um país à jorna...
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