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sábado, 18 de fevereiro de 2012

Entre um ditador e um cardeal não existem grandes diferenças

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À mulher solteira que vive sem família, ou tendo de sustentar família, acho que devem ser dadas todas as facilidades legais para prover ao seu sustento e ao sustento dos seus. Mas a mulher casada, como o homem casado, é uma coluna da família, base indispensável de uma obra de reconstrução moral. Dentro do lar, claro está, a mulher não é uma escrava. Deve ser acarinhada, amada e respeitada, porque a sua função de mãe, de educadora dos seus filhos, não é inferior à do homem. Nos países ou nos lugares onde a mulher casada concorre com o trabalho do homem – nas fábricas, nas oficinas, nos escritórios, nas profissões liberais – a instituição da família, pela qual nos batemos como pedra fundamental duma sociedade bem organizada, ameaça ruína … Deixemos, portanto, o homem a lutar com a vida no exterior, na rua … E a mulher a defendê-la, a trazê-la nos seus braços, no interior da casa…

António de Oliveira Salazar, em entrevista a António Ferro


 

Cardeal Manuel Monteiro de Castro, em entrevista ao Correio da Manhã

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

No iPod de Cavaco Silva ouve-se certamente isto...

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Sem um pingo de vergonha na cara


Num país com quase um milhão de desempregados, onde o salário mínimo é de 485 € e a média das reformas é inferior a 400 €, é preciso não ter um pingo de vergonha na cara para proferir estas declarações:




Nota: Sobre os rendimentos do auto-proclamado indigente, superiores a 10.000 € mensais, são particularmente esclarecedoras as duas notícias publicadas no site do Público (aqui e aqui) e também a notícia do Expresso sobre o nível 18 da tabela do Banco de Portugal.


sábado, 25 de junho de 2011

Se não fosses idiota, o que gostarias de ter sido? (parte IX)


A propósito desta entrevista de Medina Carreira, um poema de Alberto Pimenta:

I

o pequeno filho-da-puta
é sempre
um pequeno filho-da-puta;
mas não há filho-da-puta,
por pequeno que seja,
que não tenha
a sua
própria grandeza,
diz o pequeno filho-da-puta.

no entanto, há
filhos-da-puta
que nascem grandes
e
filhos-da-puta
que nascem pequenos,
diz o pequeno filho-da-puta.

de resto,
os filhos-da-puta
não se medem aos palmos,
diz ainda
o pequeno filho-da-puta.

o pequeno
filho-da-puta
tem uma pequena
visão das coisas
e mostra
em tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o pequeno filho-da-puta.

no entanto,
o pequeno filho-da-puta
tem orgulho
em ser
o pequeno filho-da-puta.

todos
os grandes filhos-da-puta
são reproduções
em ponto grande
do pequeno filho-da-puta,
diz o pequeno filho-da-puta.

dentro
do pequeno filho-da-puta
estão em ideia
todos os
grandes filhos-da-puta,
diz o pequeno filho-da-puta.

tudo o que é mau
para o diz o pequeno filho-da-puta
é mau
para o grande filho-da-puta,
diz o pequeno filho-da-puta.

o pequeno filho-da-puta
foi concebido
pelo pequeno senhor
à sua imagem e
semelhança,
diz o pequeno filho-da-puta.

é o pequeno
filho-da-puta
que dá ao grande filho-da-puta
tudo aquilo de que o grande filho-da-puta
precisa
para ser o grande filho-da-puta,
diz o pequeno filho-da-puta.

de resto
o pequeno filho-da-puta
vê com bons olhos
o engrandecimento
do grande filho-da-puta:
o pequeno filho-da-puta
o pequeno senhor
Sujeito Serviçal
Simples Sobejo
ou seja, o pequeno filho-da-puta.


II

o grande filho-da-puta
também em certos casos
começa por ser
um pequeno filho-da-puta,
e não há filho-da-puta,
por pequeno que seja,
que não possa
vir um dia a ser
um grande filho-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.

no entanto, há
filhos-da-puta
que já nascem grandes
e
filhos-da-puta
que nascem pequenos,
diz o grande filho-da-puta.

de resto,
os filhos-da-puta
não se medem aos palmos,
diz ainda
o grande filho-da-puta.

o grande
filho-da-puta
tem uma grande
visão das coisas
e mostra
em tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o grande filho-da-puta.

por isso,
o grande filho-da-puta
tem orgulho
em ser
o grande filho-da-puta.

todos
os pequenos filhos-da-puta
são reproduções
em ponto pequeno
do grande filho-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.

dentro
do grande filho-da-puta
estão em ideia
todos os
pequenos filhos-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.

tudo o que é bom
para o grande filho-da-puta
não pode
deixar de ser igualmente bom
para os pequenos filhos-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.

o grande filho-da-puta
foi concebido
pelo grande senhor
à sua imagem e
semelhança,
diz o grande filho-da-puta.

é o grande
filho-da-puta
que dá ao pequeno filho-da-puta
tudo aquilo de que o pequeno filho-da-puta
precisa
para ser o pequeno filho-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.

de resto,
o grande filho-da-puta
vê com bons olhos
a multiplicação
do pequeno filho-da-puta:
o grande filho-da-puta
o grande senhor
Santo e Senha
Símbolo Supremo
ou seja, o grande filho-da-puta.

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sábado, 16 de abril de 2011

Se não fosses idiota, o que gostarias de ter sido? (parte VIII)


Entre mais uma irrelevante mensagem de Cavaco Silva no facebook, as inenarráveis declarações de Otelo Saraiva de Carvalho sobre o 25 de Abril, a tragicomédia patética de Fernando Nobre (o candidato a deputado do PSD que declara renunciar ao mandato caso não seja eleito presidente da Assembleia da República) e o irresponsável apelo de Marinho Pinto a uma greve à democracia, torna-se difícil escolher o idiota da semana.

Talvez seja fruto do calor, da depressão causada pela crise ou mera estupidez natural. O certo é que todos eles merecem um destacado lugar no pódio da cretinice que nos assolou durante esta semana.


domingo, 20 de março de 2011

Não te preocupes Miguel Sousa Tavares, o asco é recíproco


Miguel Sousa Tavares, o nosso mais eminente pseudo-escritor/jornalista/comentador/colunista (acrescente o que lhe aprouver), brindou-nos ontem com mais uma execrável crónica semanal no Expresso.

A prosa, intitulada "Deolinda est Cartago",  aparentemente sobre a cobertura dada pela comunicação social portuguesa à tragédia que atingiu o Japão, mais  não é do que um pretexto para Miguel Sousa Tavares destilar o seu ódio  recorrente contra os professores e  desancar na manifestação/manifestantes do passado dia 12 de Março.

Como o lixo não deve ser reproduzido, não nos damos sequer ao trabalho de transcrever excertos da referida crónica. Da mesma forma, não perderemos tempo a rebater as inverdades e deturpações que o autor premeditadamente coloca na(s) sua(s) crónica(s) e nas intervenções televisivas que protagoniza.

Miguel Sousa Tavares, risível e cada vez mais patética personagem, não merece mais do que esta meia dúzia de linhas e este pequeno vídeo da autoria dos Homens da Luta:

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