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Antes das eleições de 05 de Junho bastava percorrer alguns dos blogues ligados à educação para se perceber o sentimento maioritário da classe docente: derrotar o PS.
Se o sentimento geral era mais do que compreensível, os meios propostos para atingir tal fim pareciam-nos maioritariamente imponderados e irreflectidos.
Encontrámos tabelas, organizadas por distritos, onde se demonstrava em que partido valia a pena votar para impedir a eleição de deputados do PS (como se fosse igual votar na CDU, no CDS, no BE ou no PSD)...
Lemos comentários de professores que afirmavam sempre ter votado em partidos de esquerda e que apelavam ao "voto útil" no PSD e no CDS...
Pelo meio fomos lendo alguns comentários avisados, mas claramente minoritários, que alertavam para as consequências para a educação de virmos a ter uma maioria de direita e que recordavam quais as forças políticas que desde o início haviam apoiado as lutas dos professores...
Durante a campanha eleitoral, os professores foram-se entretendo com a novela que envolvia Santana Castilho e o lançamento de um livro, foram especulando sobre os eventuais ministeriáveis, foram discutindo o "eduquês", foram inventando mais uns quantos possíveis salvadores da pátria e, acima de tudo, foram-se esquecendo das questões essenciais: o que defendia cada partido para a educação e o que estava previsto no acordo que PS-PSD-CDS assinaram com a troika.
Conhecidos os resultados das eleições e revelado o nome do novo titular da pasta da educação, as expectáveis reacções de júbilo: "conseguimos!", "adeus Sócrates!", "o Nuno Crato é uma excelente escolha!", "agora é que vai ser!"...
E chegados aqui perguntamos: agora é que vai ser o quê?
Depois da poeira assentar, depois de cessarem os cantos de sereia, depois dos pretensos pseudo-gurus da educação pararem de se colocar em bicos de pés (em busca de um qualquer lugar na nova equipa governativa), teremos certamente oportunidade de voltar a discutir e analisar as medidas que o novo governo implementará na área da educação.