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sexta-feira, 24 de junho de 2011

O simbolismo é lixado...


Um detalhe, um mero pormenor insignificante que ontem encheu manchetes de jornais e teve honras de destaque em telejornais: Passos Coelho anuncia que vai voar em classe económica nas suas deslocações europeias.

O estado de graça de Passos Coelho iniciava-se da melhor maneira.
Pretensamente discreto, mas rapidamente mediatizado, "o exemplo" transforma-se rapidamente em propagandazinha populista para o povo aplaudir e comentador/pivot televisivo elogiar: "o início de uma nova era", "o fim do charco governativo", "o exemplo vindo de cima", "um acto simbólico da maior importância"...

Mas como a demagogia de pacotilha tem muito que se lhe diga, hoje ficámos a saber que afinal os membros do Governo não pagam viagens em voos da TAP...

O simbolismo, quando desonesto e mal amanhado, é lixado.

É um pássaro? É um avião? Não, é o novo super-cachorro austeritário de Angela Merkel!


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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Tirem as vossas próprias conclusões

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Alguns dos mais interessantes momentos televisivos das últimas semanas têm sido protagonizados pelos "comentadores-especialistas" que se dedicam à análise dos debates entre os líderes dos cinco principais partidos.

Num qualquer estúdio de televisão, juntam-se dois ou três exemplares de "comentador-especialista" e procede-se a uma suposta análise do debate que acabou de ocorrer. Cada "comentador-especialista" emite o seu avalizado juízo sobre o debate, regra geral sem qualquer correspondência com aquilo que o "espectador-indiferenciado" acabou de assistir.

O "comentador-especialista" tem sempre muitas certezas, fazendo questão de as afirmar de forma peremptória. Na opinião de "comentador-especialista", por exemplo, o "espectador-indiferenciado" nem sabe/percebe muito bem o que é isso da reestruturação da dívida e, como tal, não interessa nada discutir esse assunto.

Os diversos "comentadores-especialistas" são indiferenciáveis entre si. Partilham as mesmas opiniões, a mesma ideologia (que parte sempre do centro, em progressão acelerada para a direita) e a mesma abordagem diletante-distendida que supostamente deve revestir os "vencedores sociais".

No entanto, na passada terça-feira, o "comentador-especialista" sofreu um sobressalto e um embaraço inexplicável tomou de assalto a sua habitual bonomia:
Como comentar o debate protagonizado por Francisco Louçã e Pedro Passos Coelho?
Como convencer o "espectador-indiferenciado" de que Pedro Passos Coelho tinha tido um excelente desempenho?
Como debitar, sem cair no ridículo, as notas escritas antes do início do debate ?

Nós, meros "espectadores-indiferenciados" que dispensam a oculta agenda ideológica, e muitas vezes partidária, dos "comentadores-especialistas", deixamos-vos tirar as vossas próprias conclusões...
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sábado, 14 de maio de 2011

Comunicado dos Precários Inflexíveis sobre a proposta do PSD para acabar com os contratos de trabalho sem termo

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Na íntegra, o comunicado de imprensa dos  Precários Inflexíveis sobre a proposta do PSD para acabar com os contratos de trabalho sem termo:

O líder do PSD anunciou ontem numa acção da campanha eleitoral que o PSD pretende acabar com os contratos sem termo e que isso seria a melhor maneira de acabar com situações de precariedade como os falsos recibos verdes. Acusou ainda os trabalhadores com direitos, com contratos efectivos, de não deixarem que os outros trabalhadores (os precários) tenham outros tipos de contrato. É uma afirmação infeliz e acusatória que procura colocar em confronto todas as pessoas quem vivem do seu trabalho. No seu programa, o PSD propõe regulamentar para "a existência legal de um só tipo de contrato" mas apenas afirma querer "acabar tendencialmente com os contratos a termo". Lamentamos encontrar no programa do PSD apenas meias palavras que parecem esconder a proposta agora assumida por Passos Coelho: o PSD propõe a existência de um só tipo de contrato com facilidade de despedimento em qualquer momento e progressivamente acabar com o tipo de contrato que ainda garante alguns direitos aos trabalhadores. A proposta do PSD seria inicialmente para os “jovens e para os desempregados”, ou seja os contratos sem termo só deixariam de existir para os novos contratos.

Os Precários Inflexíveis estão inequivocamente contra esta proposta. Os contratos de trabalho sem termo decorrem da natureza das próprias relações laborais e protegem, como deve sempre acontecer, a parte mais fraca de qualquer relação laboral: o trabalhador. Lembramos que os números do INE comprovam que no 3.º trimestre de 2010 havia 745.100 trabalhadores com contrato a prazo contra 688.800 um ano antes, e que, simultaneamente, estão a diminuir os contratados sem termo (efectivos). Paralelamente, os dados do IEFP mostram que o "fim de trabalho não permanente" (ou seja, o trabalho a termo) continua a ser a principal causa de desemprego e o Eurostat, usando dados relativos ao 2.º trimestre de 2010, identifica um milhão de precários em Portugal. Ou seja, o desemprego aumenta a precariedade e a precariedade aumenta o desemprego: os números comprovam-no.

Os contratos sem termo existem porque a maioria das funções, na maioria das empresas, requer uma aprendizagem para o seu desempenho e porque não se trata de uma necessidade temporária da empresa. Aquando da assinatura de um contrato sem termo o trabalhador compromete-se a adquirir o capital humano específico para aquela função e o patrão a respeitar essa valorização. Terminar com o contrato sem termo não é uma adaptação às condições da economia ou das empresas: é simplesmente uma forma de tirar direitos e aumentar o clima de chantagem crescente em que ocorrem as relações laborais.

A precariedade tem enormes custos sociais, mas também acarreta enormes custos económicos por perda de produtividade: mais desemprego, menos contribuições sociais da parte das empresas e trabalhadores, mais pobreza, menos produção.

Para além disso, o argumento de que tal mudança significaria uma diminuição dos falsos recibos verdes é enganoso e mentiroso. O aumento da precariedade, verificado nos últimos 20 anos e mais fortemente desde a introdução dos Códigos do Trabalho Bagão Felix (PSD/CDS) e Vieira da Silva (PS), não conseguiu estancar o aumento brutal dos falsos recibos verdes e do desemprego. Não há truque que possa esconder o óbvio: quanto mais condições para a precariedade, mais precariedade.

Claramente o PSD não entendeu a manifestação de dia 12 de Março e pretende agora esquecer que mais de 400 mil pessoas saíram à rua contra a precariedade laboral. Estas pessoas manifestaram-se contra os falsos recibos verdes, mas também contra os contratos a prazo para funções permanentes, contra os estágios sem regras, contra o trabalho informal e em defesa de trabalho e emprego com direitos.

A posição dos Precários Inflexíveis a esta proposta do PSD é clara. Recusamos esta via de degradação das condições para trabalhar e viver. E temos propostas concretas: em conjunto com o M12M, o Ferve e os Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual, propomos uma Lei Contra a Precariedade, que ataca e procura soluções para as 3 mais brutais formas de precariedade: os falsos recibos verdes, os contratos a prazo para funções permanentes e o trabalho temporário. Mais de 35 mil pessoas estão a ser convocadas a assinar esta Iniciativa Legislativa de Cidadãos, numa mobilização que prova que existem alternativas à precariedade.


sábado, 7 de maio de 2011

A direita na caça ao voto dos professores

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Pedro Passos Coelho, o mesmo que preconiza medidas para a área do ensino que mais não são do que um violento ataque à Escola Pública, prefacia e apresenta o próximo livro de Santana Castilho.

A crer no entusiasmo que a aliança Passos Coelho-Santana Castilho tem  provocado em  alguns sectores  educativos,  parece que  a  classe  profissional  mais  maltratada  e  mais  humilhada  pelo poder  político  nos últimos tempos só pode  escolher  entre o economicismo “pedagógico” do PS e o economicismo “pedagógico” neoliberal do PSD...


Será difícil escolher entre a análise negra do passado e as perspectivas negras do futuro!
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sábado, 25 de setembro de 2010

Ópera Bufa



O Sr. Silva Pereira revelou que as negociações mantidas entre o Sr. Sócrates e o Sr. Passos Coelho, que garantiriam a aprovação do Orçamento de Estado, haviam falhado.

O Sr. Passos Coelho, que sempre garantiu não existirem encontros secretos com o Sr. Sócrates, fica furioso e jura a pés juntos que não aprovará um novo aumento de impostos e, consequentemente, o Orçamento.

O Sr. Sócrates diz que o Sr. Silva Pereira apenas revelou publicamente o que havia sido previamente acordado como Sr. Passos Coelho.

O Sr. Sócrates revela que o Governo poderá demitir-se se o Sr. Passos Coelho não viabilizar o Orçamento.

O Sr. Soares, essa espécie de auto-coroado rei da democracia portuguesa e personagem secundária nesta intriga, apela a que o Sr. Sócrates e o Sr. Passos Coelho cheguem a um entendimento.

O Sr. João Jardim e o Sr. Santana Lopes, os habituais bobos de serviço, fazem declarações bombásticas a quem ninguém dá grande importância.

O Sr. Passos Coelho diz que nunca mais falará a sós com o Sr. Sócrates.

O Sr. Sócrates diz que as declarações do Sr. Passos Coelho são inadmissíveis e, por sua vez, o Sr. Passos Coelho diz que as declarações do Sr. Sócrates são inadmissíveis.

O Sr. Cavaco Silva, em mais uma acção de campanha eleitoral, convoca todos os partidos para discutir o problema criado pelo Sr. Sócrates e pelo Sr. Passos Coelho.

O Sr. Medina Carreira grita, em repeat, que “Portugal vai bater na parede” e chama mentirosos ao Sr. Sócrates e ao Sr. Passos Coelho.

O Sr. Rebelo de Sousa, que tem sempre opinião sobre tudo e sobre todos mas que nunca fundamenta verdadeiramente nada, apela a que o Sr. Sócrates e o Sr. Passos Coelho cheguem a um entendimento.

Os mais reputados economistas e comentadores, alguns dos quais também peritos em comentário desportivo, garantem que o FMI está quase a aterrar no Figo Maduro e pedem um entendimento urgente entre o Sr. Sócrates e o Sr. Passos Coelho.

Os jornais e as televisões não param de esmiuçar todos os detalhes da desavença entre o Sr. Sócrates e o Sr. Passos Coelho, ao mesmo tempo que garantem que aprovação do Orçamento irá mesmo acontecer…

… Enquanto o Sr. Cavaco Silva, o Sr. Sócrates e o Sr. Passos Coelho alinham os detalhes para os próximos episódios, o pessoal, que já vê enredos de má qualidade há muito tempo e já está habituado a péssimos actores, percebe que o Orçamento irá mesmo ser aprovado, que a sua vida estará cada vez mais lixada e que tudo isto não passa de uma encenação de muito má qualidade.

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