Raramente o país se olha ao espelho e, quando o faz, poucas vezes gosta do reflexo que vê.
Temos medo da memória colectiva, dos "fantasmas" guardados nos armários, de tudo o que possa agitar a nossa "brandura social".
Abordamos a ditadura salazarista com pinças, branqueando-a, tornando-a "suave" quando comparada com outras além fronteiras.
Raramente revisitamos a guerra colonial, as suas consequências numa geração inteira quase não existem na nossa literatura e no cinema.
Temos um medo colectivo de enfrentar a realidade, de analisar as convulsões históricas, de interpretar o presente à luz de acontecimentos passados.
Não gostamos de confrontos ideológicos, de movimentações sociais, de radicalismos políticos, de assumir posições divergentes.
Preferimos a tepidez do silêncio e da negação.
É neste contexto que iniciativas como a do site da
Associação Memoriando nos permitem (re)descobrir parte do nosso passado recente, sem receios de falta de distanciação temporal face aos acontecimentos e aos protagonistas.
Criado com o apoio do Instituto Internacional de História Social da Holanda, especializado em lutas sociais, o site documenta a história das Brigadas Revolucionárias (BR) e do Partido Revolucionário do Proletariado (PRP), disponibilizando informação e documentação cedidas pelos próprios intervenientes destes movimentos anti-fascistas.
Um site a explorar, sem preconceitos ideológicos.