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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Defender o indefensável


No dia em que foi conhecida a atribuição do Prémio Nobel da Paz ao activista Liu Xiaobo, escrevemos que nos era incompreensível que alguma esquerda fosse conivente com os sistemáticos ataques aos direitos humanos cometidos pelo regime chinês.

Após um longo silêncio de três dias, infelizmente confirmando aquilo que havíamos escrito, o PCP resolveu emitir o seguinte comunicado:



A cegueira ideológica do PCP não é nova nem nos causa grandes surpresas.
O que nos repugna é que o PCP, nesta sua cegueira, não se iniba de caucionar um regime ditatorial que supostamente deveria criticar.
O que nos causa asco é que as violações dos direitos humanos tenham, para o Comité Central do PCP, dois pesos e duas medidas (como sempre tiveram nas últimas décadas, em função dos países/regimes em que ocorressem).
O que nos revolta é que o PCP encare a China como uma referência do socialismo, quando todos conhecemos a realidade do trabalho escravo naquele país.
O que nos entristece é que o PCP nada tenha aprendido com os seus erros históricos, insistindo nesta sua caminhada para a completa erosão.
 
 
(Notícia aqui, aqui e aqui)
 

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Quebrar silêncios – o Nobel da Paz de Liu Xiaobo



Há alguns anos atrás, antes da China se tornar uma potência económica, multiplicavam-se as vozes que denunciavam as repetidas violações dos direitos humanos naquele país.
Em 1989, o massacre cometido pelas autoridades chinesas contra os manifestantes da Praça Tiananmen provocou um coro internacional de protesto e indignação, unindo governos, organizações de direitos humanos e cidadãos anónimos de diversos quadrantes políticos.

Hoje em dia, tal como ficou demonstrado durante a realização dos Jogos Olímpicos, a generalidade das instituições e governos internacionais pactua silenciosamente com o regime chinês, sobrepondo os interesses económicos aos direitos humanos.
Este silêncio conivente, incompreensivelmente partilhado por alguma esquerda, apenas tem sido pontualmente quebrado por organizações de direitos humanos e por alguns activistas que, dentro e fora das fronteiras chinesas, se continuam a bater pela implementação de reformas democráticas no país.

É neste contexto que a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Liu Xiaobo adquire um significado simbólico particularmente importante.
Activista desde os protestos de Tiananmen, actualmente a cumprir uma nova pena de prisão, Liu Xiaobo é um dos principais protagonistas da luta pela introdução de reformas políticas, judiciais e sociais na China e um justo laureado com o Nobel da Paz.

Embora não acreditemos que o Nobel atribuído a Liu Xiaobo venha por si só provocar alterações no regime chinês, estamos convictos de que pelo menos servirá para reabrir o debate, a nível internacional, em torno da violação dos direitos humanos naquele país.
As autoridades chinesas poderão prosseguir com as prisões arbitrárias dos opositores ao regime, mas não conseguirão evitar o incómodo interno e externo que este Nobel lhes irá trazer, da mesma forma que não conseguirão silenciar todos aqueles que continuam a colocar a defesa intransigente dos direitos humanos à frente dos interesses económicos.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Ainda não foi desta...


Philip Roth


Ainda não foi este o ano de Philip Roth... A escolha da Academia Sueca recaiu sobre o escritor peruano Mario Vargas Llosa. 

Continuaremos a aguardar, talvez em vão, a atribuição do Nobel da Literatura a Roth...

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